Por que é errado minimizar a importância dos pecados sexuais

07/08/2026

Pecados contra o sexto mandamento não são um detalhe menor 

É muito comum ouvirmos nos dias de hoje que pecados relacionados ao sexto mandamento não são tão importantes, que não devemos dar tanta atenção a eles porque, afinal, há pecados muito mais graves. Injustiça social, desigualdade ou discriminação contra imigrantes são frequentemente adicionadas abaixo, como exemplos de grande pecado.

Por George Soley (INFOCATOLICA)

Os exemplos, embora possam ser qualificados, costumam ser ruins. A injustiça social é, em muitos casos, um termo etéreo que camufla o rancor e a inveja de quem a denuncia Acabar com a desigualdade significaria transformar todos nós em escravos uniformes e discriminar, ou seja, tratar de forma diferente quem está em situação diferente, é um ato de justiça. Por isso gosto mais do que tradicionalmente a Igreja tem ensinado sobre os pecados mais graves.

Por exemplo, sobre os pecados que clamam ao céu (dos quais um, a propósito, é contra o sexto mandamento): «o sangue de Abel; o pecado dos sodomitas; o clamor do povo oprimido no Egito; o lamento do estrangeiro, da viúva e do órfão; a injustiça para com o assalariado», conforme registrado no ponto 1867 do Catecismo da Igreja Católica.

Temos também pecados contra o Espírito Santo, de extrema gravidade: desespero da salvação; presunção de salvar-se sem mérito; negar a verdade conhecida como tal; ser invejoso ou a despeito da graça alheia; obstinação no pecado; impenitência final.

Mas voltando aos pecados da carne, é óbvio que há pecados mais graves: logo me vem à mente o pecado do orgulho, raiz de todos os vícios. Pecados mortais são a origem de muitos outros pecados... e aqui também temos um relacionado ao sexto mandamento: luxúria.

Deixando claro que é claro que existem pecados mais graves do que os cometidos contra o sexto mandamento, me parece que aqueles que insistem em diminuir a gravidade dos pecados sexuais (coisa que por sinal o mundo está muito satisfeito) caem numa visão antropologicamente simplista e superficial que os impede de entender a importância da questão (que aqueles que se opõem aos ensinamentos da Igreja Católica entendem e demonstram sim com suas prioridades).

Lendo esses dias o último livro de Gianfranco Cesana encontrei uma breve reflexão sobre o assunto que acredito lançar luz sobre o assunto. Cesana escreve sobre sexualidade:

«A questão é séria, pois, sendo a sexualidade constitutiva da atenção à relação entre as pessoas - em seus aspectos não apenas instintivos, mas também afetivos e cognitivos - a sexualidade afeta toda a personalidade.  Isso não existe isoladamente, mas é feito de relação com o outro. Confundir o conteúdo e a maneira dos relacionamentos é um erro que pode arruinar a vida dos indivíduos e da sociedade
Sexo, justamente, como possibilidade de satisfação, felicidade e geração؟ se vivido superficialmente e transgressoramente pode levar a experiências traumáticas de frustração e violência

É, isto. Não tanto o pecado em si, que às vezes poderíamos considerar um deslize de alguns minutos, como seus efeitos em toda a nossa personalidade e em algo tão nuclear quanto a relação com o outro, que é danificada e distorcida quando a sexualidade é vivida «de uma forma superficial e transgressora». É por isso que os pecados contra o sexto mandamento não são um detalhe menor, é por isso que eles têm consequências muito mais devastadoras do que, por exemplo, «inequality» (seja lá o que isso for). (Fonte: INFOCATOLICA)

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