No Oriente a liturgia não pode ser inventada na paróquia
Porque as Igrejas católicas orientais não foram contaminadas pelo pós Concílio

Viaje pelo mundo. Entre em uma paróquia latina em São Paulo, em Paris e em Manila. Você vai assistir a três Missas completamente diferentes. Uma com coroinhas meninas de tênis, outra com ministra da Eucaristia de calça jeans distribuindo a comunhão, outra com banda tocando no presbitério. Tudo católica, tudo válida, mas irreconhecível entre si.
Por Vida e Fé Católica
Agora entre em uma igreja melquita em São Paulo, em uma maronita em Beirute e em uma ortodoxa em Moscou. Você vai assistir à mesma Divina Liturgia de São João Crisóstomo. As mesmas orações em grego, árabe e eslavo. Os mesmos véus nas mulheres, os mesmos ícones, os mesmos incensos, o padre de costas para o povo, voltado para o Oriente. Uma liturgia que não muda há 1500 anos.
A pergunta é inevitável: como dois ramos da mesma fé reagiram tão diferente ao mesmo mundo moderno? Como as mulheres orientais, que são médicas, advogadas, deputadas, nunca exigiram ser leitoras ou coroinhas?
A resposta é simples e dura: no Oriente, a liturgia não pode ser inventada na paróquia.
A liturgia não pertence ao padre
No Ocidente pós-conciliar, criamos a figura do padre animador. Ele é o presidente da celebração. Ele escolhe as músicas, escreve os comentários, decide quem lê, quem serve, quem distribui. A Missa é sua obra pastoral.
No Oriente, essa ideia é uma heresia. O padre não possui a liturgia. Ele é servo do rito. Ele recebe um livro de mil anos e cumpre, sob pena de pecado. Se ele acrescentar uma palavra, o povo mais velho se levanta no meio da igreja e o corrige. Se insistir, o bispo o suspende na semana seguinte.
Lá o povo não pede criatividade. Pede fidelidade.
O povo guarda a liturgia, não o bispo
No Ocidente, o bispo precisa vigiar para que padres não inventem demais.
No Oriente é o contrário: o povo vigia o bispo para que ele não invente.
Os católicos orientais sobreviveram 1400 anos sob domínio islâmico. Os ortodoxos russos e ucranianos sobreviveram 70 anos de comunismo, com igrejas dinamitadas e padres fuzilados. Como sobreviveram? Guardando a liturgia como um cofre. Mudar uma vírgula para agradar o poder da época seria trair o sangue dos mártires.
Por isso a mulher oriental não vê contradição. Fora da igreja, ela dirige empresa e vota. Dentro da igreja, cobre a cabeça e não sobe no altar. Ela entende que são duas ordens. O mundo moderno muda. O sagrado não.
Sinodalidade não tem vez
Como foi mencionado antes, um povo que preza pela tradição e a preserva não deseja novidades nem modificações. Os fieis tem que se adaptar à Igreja e não a Igreja aos fieis como ocorre no ocidente. Assim, a ideia de sionadalidade não tem vez nas Igrejas orientais. Isto tem grande reflexo no ocidente e é motivo de grande procura das Igrejas que mantém a tradição. Muitos fieis no ocidente, ao perceberem os graves erros da sinodalidade se sentem imediatamente atraídos pelas Igrejas católicas orientais. Como são poucas os fieis procuram as capelas do rito latino mas que mantém a Missa Tridentina quando não encontram as de rito oriental.
O único ocidente que ainda pensa como o oriente
No ocidente latino, só restou um lugar onde essa lógica oriental sobreviveu intacta: a Missa Tridentina.
A Missa Tridentina, codificada por São Pio V em 1570, é a única Missa latina que funciona como a liturgia oriental. O padre não pode inventar nada. Não pode colocar leitora, não pode colocar coroinha feminina, não pode colocar ministra, não pode mudar a oração. Se ele mudar, a Missa é inválida ou ilícita. O rito o domina, não o contrário.
Por isso, curiosamente, uma Missa Tridentina em São Paulo é idêntica a uma Missa Tridentina em 1940, em 1840 e em 1570. Assim como a Liturgia de São João Crisóstomo é idêntica em todo o Oriente.
São as duas únicas liturgias no mundo católico que o padre da paróquia não pode inventar. E não por acaso, são as duas que mais atraem jovens hoje.
O Ocidente acreditou que para salvar a Igreja era preciso adaptar a liturgia ao homem moderno. O Oriente acreditou que para salvar o homem moderno era preciso mantê-lo diante de uma liturgia que não muda.
Um está esvaziando as igrejas. O outro está enchendo.
No Oriente, a pergunta "podemos colocar meninas no altar?" nem chega a ser feita. Porque lá todos sabem: o altar não é da paróquia. (Redação: Vida e Fé Católica)
Leia também







