Cardeal Burke: Há eventos na Igreja tão diabólicos que só podem vir do maligno

12/09/2026

De Sodoma à ideologia da autocriação

O prefeito emérito da Assinatura Apostólica respondeu por dois episódios a perguntas do ex-membro da Marinha Seals Shawn Ryan sobre o antigo e o novo testamento.

Por INFOCATOLICA

((S)Arauto Católico/InfoCatólica) O cardeal Raymond Leo Burke afirmou perante um dos principais podcasters americanos que o chamado casamento gay é uma heresia contra a própria «razão», e ao mesmo tempo alertou para o aumento da atividade demoníaca na sociedade e na Igreja.

Em um podcast em duas partes há muito aguardado, Burke se sentou com Shawn Ryan, ex-membro dos Navy Seals dos Estados Unidos, para responder suas perguntas sobre o antigo e o novo testamento. Ryan tem uma audiência enorme: tem 6,5 milhões de inscritos só no YouTube e seu programa figura como o terceiro mais ouvido nos Estados Unidos no Spotify. Ele tem se inclinado cada vez mais para o cristianismo e também teve como convidado, em dois episódios recentes, o conhecido exorcista Pe. Chad Ripperger.

As conversas abrangentes variaram de atividade demoníaca —de que Ryan disse que era cada vez mais uma vítima— para a criação, Noé, Sodoma e Gomorra, os pontos históricos-chave do Antigo e Novo Testamento, o casamento da Virgem Maria com São José, a Eucaristia e os últimos dias do mundo. Sobretudo de natureza catequética quanto às Escrituras, o diálogo também se aprofundou em questões doutrinárias e morais a partir do contexto dos elementos históricos das Escrituras.

A rebelião de Sodoma é a de hoje

Burke comparou o relato do Antigo Testamento sobre Sodoma e Gomorra à rebelião encontrada na sociedade moderna, uma rebelião que ele descreveu se concentra em «a ideia de que EU sou o autor do meu próprio ser, que EU tenho o direito de decidir se devo viver ou não, e que EU tenho o direito de mudar a identidade que foi dada a mim no nascimento».

«O mal é exaltado como bom», ele disse, «em desafio à lei de Deus». Isso está demonstrado na agenda homossexual, acrescentou o cardeal, que descreveu o chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo como uma violação não só da fé, mas da ordem e da razão naturais.

«Há países, como o país de meus próprios ancestrais na Irlanda, que colocaram em sua Constituição que pode haver casamento entre duas pessoas do mesmo sexo», lamentou. «Digo que isso é heresia, não apenas contra a fé e contra o que as Escrituras ensinam, mas contra a própria razão. É claro que Deus fez o homem para a mulher e a mulher para o homem».

Uma profissão médica dedicada a mutilar

O cardeal então criticou o papel que a própria classe médica desempenha na promoção da difusão dessa ideologia, e dedicou menção especial às chamadas cirurgias de mudança de sexo, que hoje proliferam como instrumento posto a serviço do movimento transexual.

«A profissão médica assumiu a tarefa de realmente mutilar as pessoas para que elas possam perceber a ideia de que o sexo que a natureza lhes atribuiu está errado», denunciou. «Acontece, é claro, que ninguém pode ser feliz assim».

A Virgem Maria já era casada com São José

Voltando-se para a Sagrada Família e a maternidade divina de Maria, Burke rejeitou a alegação muitas vezes repetida de que a Virgem é um exemplo bíblico de mãe solteira. Ele explicou que a lei judaica distinguia duas etapas dentro do casamento, com «um período de tempo antes que o marido levasse a esposa para casa e consumasse o casamento; mas a consumação não fazia o casamento: o casamento já estava lá».

«Mary era casada com Joseph» já na época da Anunciação, explicou o cardeal, o que mostra que Deus organizou seu plano de salvação por meio de uma família: «ele abençoa a família desde o início de sua obra salvadora».

Sem sacerdote consagrado não há Eucaristia

Passando ao relato neotestamentário da vida e morte de Cristo, Burke tratou da paixão e ressurreição, bem como da instituição dos sacramentos e da centralidade da Eucaristia à Igreja. Neste âmbito, o antigo prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica rejeitou também os argumentos apresentados contra o sacerdócio por activistas leigos que exigem uma celebração da Eucaristia sem sacerdote.

«Não, Cristo quis assim: que houvesse um homem consagrado que oferecesse a sagrada Eucaristia por nós, para que pudéssemos ser fortalecidos com o dom da própria vida de Cristo, e que também é um penhor de vida eterna», afirmou.

Pornografia e pais

O cardeal também citou o uso generalizado da pornografia e colocou em relação às dificuldades que os pais enfrentam hoje. Tanto os sacerdotes quanto os homens casados, observou ele, devem sempre ter em mente o propósito espiritual daqueles confiados aos seus cuidados: «portanto, não buscamos a gratificação imediata de uma criança que diz: Eu te amo, mas buscamos o bem a longo prazo dessa criança».

«A coisa importante», acrescentou ele, «é que cumprimos nossa responsabilidade diante de Deus e em Deus de ser pai de uma família».

Satanás nunca está mais feliz do que quando acreditamos que ele está ausente

A conversa então voltou, naturalmente, à questão da atividade demoníaca, e ali Burke falou dos exorcismos e da necessidade crescente de tais intervenções. «Parece que no tempo presente —e eu sei disso por falar com irmãos bispos e exorcistas— há muita atividade demoníaca», observou ele.

Ele apontou como uma causa parcial a indiferença, e até mesmo presunção, de muitos que têm acreditado que não há «nada com que se preocupar» quando se trata de Satanás. «Satanás nunca está mais feliz do que quando pensamos que ele não está por perto, porque então ele pode fazer um dano real.».

O mundo e a Igreja, sustentou o cardeal, foram impregnados de ações que só podem ser atribuídas a Satanás. «Temos que manter nossos olhos bem abertos e ver agora que isso é algo diabólico. E infelizmente, no mundo de hoje e às vezes até na Igreja, vemos coisas que são diabólicas e que são tão más que só poderiam vir do maligno em pessoa». (Fonte: INFOCATOLICA)

Postagens Relacionadas

Share