A sinodalidade visa redefinir a natureza da Igreja
A natureza da Igreja não vem da sinodalidade, mas de sua constituição divina;

No discurso que Leão XIV fez em Rimini (Itália), em 22 de agosto, disse textualmente:
Por Carlos María Jáuregui
"Sinodalidade não é o nome de um processo, mas a natureza de um povo que, na amizade e no encontro com o outro, percebe que pertence somente a Deus. A autoridade torna-se então serviço, que honra as diversidades e facilita sua harmonia. Este estilo constitui, neste tempo turbulento, um verdadeiro sinal dos tempos".
Após lê-lo várias vezes, opinamos sobre o significado deste parágrafo. Entendemos que, ao dizer que "sinodalidade não é um processo", significa que não é uma série ocasional de reuniões, consultas, deliberações, pontos de encontro, etc., mas "a natureza de um povo", ou seja, o modo próprio de ser do "povo", compreensão por "povo" a própria Igreja Católica. Este "people" descobre que pertencem a Deus na amizade e no encontro com o outro. Dentro do "povo", a autoridade deve servir, respeitar as diversidades e buscar a convivência harmoniosa entre todos. Essa maneira de viver no "povo" constituiria uma referência de convivência nesses tempos agitados.
Mas essa linguagem apresenta uma série de problemas, começando pela sua indeterminação e imprecisão, e prosseguindo com afirmações que não podem ser simplesmente aceitas; por serem questionáveis ao assumirem novos termos que venham a ficar e por afetarem a própria natureza da Igreja.
Julgamento do texto
Afirmar que a sinodalidade é a natureza de um povo constitui formulação doutrinária não só inusitada, como inadmissível. A natureza da Igreja não vem da sinodalidade, mas de sua constituição divina; a Igreja é o Corpo místico de Cristo, a sociedade visível fundada por Ele, o repositório da Revelação e os meios estabelecidos por Deus para conduzir os homens à salvação. Portanto, um termo novo, impreciso e com um sentido ainda discutido não pode ser usado para definir o que é a Igreja pela vontade de seu Fundador. A sinodalidade pode designar, no máximo, uma determinada maneira de exercer a comunhão eclesial; nunca redefinir a essência da Igreja.
Parece-nos completamente estranho que este "people" perceba que eles pertencem a Deus na amizade e no encontro com o outro. A Igreja sabe que ela pertence a Deus porque Ele a reuniu, Cristo a adquiriu com seu sangue, o Espírito Santo habita nela e a Revelação nos ensina isso. Encontrar-se com o próximo pode ajudá-lo a viver esse pertencimento, mas não é o seu fundamento ou a fonte do seu conhecimento. A frase inverte, assim, a ordem das coisas, porque a Igreja não descobre que pertence a Deus indo ao encontro dos outros; pode encontrar-se verdadeiramente com os outros porque já pertence a Deus e dEle recebeu sua identidade e missão.
A frase que diz isso é ambígua autoridade se torna serviço.O. Porque a autoridade na Igreja já é, pela instituição de Cristo, um serviço. Não precisa se tornar algo diferente. Mas serviço não significa abrir mão de ensinar, governar, corrigir e santificar. Cristo lavou os pés dos Apóstolos, mas também lhes deu ordens, corrigiu-os, confiou-lhes sua doutrina e lhes deu verdadeira autoridade. Quando o serviço é reduzido à escuta e "facilitando a harmonia", a autoridade pastoral corre o risco de se tornar um mero moderador de opiniões.
Quando ele diz honrar diversidades, não sabemos a que poderia se referir. Essa expressão estimula a especulação. Pode-se intuir que pode ser sobre a diversidade de ritos, carismas, culturas e vocações pertencentes à riqueza da Igreja. Mas nem toda diversidade doutrinária, moral ou disciplinar pode ser "honest", como diz Leão XIV. Nessas diversidades será necessário distinguir entre erro e pecado, que não constituem realidades que devem ser harmonizadas, mas devem ser corrigidas e curadas. A unidade no Igreja não é o equilíbrio negociado entre "diversidades", mas comunhão na mesma fé, nos mesmos sacramentos e no mesmo governo.
Finalmente, chamar estilo a tudo o que analisamos e afirmamos, a seguir, que constitui a sinal dos tempos introduz uma forma de legitimação histórica. O raciocínio do texto é o seguinte: Sendo nossa era plural, "turbulenta" e democrática, a Igreja deveria adotar também um modelo baseado na escuta, inclusão e harmonização das diferenças. Mas a esse raciocínio devemos responder que os sinais dos tempos devem ser discernidos e julgados à luz do Evangelho e da Tradição; não podem ser usados para redefinir o próprio ser da Igreja como se as circunstâncias históricas contivessem uma nova revelação sobre o que a Igreja deveria ser.
A questão decisiva é esta: a sinodalidade é uma maneira de caminhar juntos dentro da fé recebida, sob uma autoridade instituída por Cristo para ensinar, governar e corrigir, ou está se tornando uma nova definição da Igreja, na qual a autoridade deixa de guardar a verdade e se limita a ouvir e harmonizar as diferenças? Depende da resposta se estamos diante de um modo aceitável de viver a comunhão eclesial ou de uma inadmissível transformação silenciosa da natureza da Igreja, que ninguém tem autoridade para realizar. (Fonte: El Español Digital)
Leia também







