A teologia do Concílio vem da antropolatria

21/07/2026

Montini e o Concílio contradizem o que as Escrituras (São Paulo) e a tradição patrística (Santo Agostinho) têm ensinado 

Parafraseando o padre Cornelio Fabro, trato da questão que representou a reviravolta antropológica do Concílio Vaticano II com vistas a entender de onde vem e para onde pode nos levar se seguirmos.

Por Adelante La Fe

Ou Deus ou o eu

Em sua homilia da nona sessão do Concílio (7 de dezembro de 1965), Paulo VI disse: «A religião do Deus que se tornou homem conheceu a religião –porque tal é– do homem que se torna Deus. O que tem acontecido? Um embate, uma luta, uma condenação? Poderia ter acontecido, mas não aconteceu. [...] Uma imensa simpatia penetrou em tudo. [...] Nós também –e mais do que qualquer outra pessoa– somos promotores do homem» (Concílio Vaticano II. Constituições, decretos, declarações. BAC Madri 1966 pá. 828).

Essa frase objetivamente blasfema de Montini, «, que tremendamente promotores do homem» e, pior ainda, religião «do homem que se faz Deus»:

1a) Ela destoa da encarnação do Verbo, que «esvaziou-Se a Si mesmo, feito semelhante aos homens» (Fil.2,3-7).

2a) Com o que Santo Agostinho escreve sobre a Encarnação: «A Palavra de Deus se fez homem para que o homem não ousasse se igualar a Deus» (Sermões, LXXVII, 11-12).

3a) Com o que Pio XII disse em sua mensagem de Natal de 24 de dezembro de 1952: «O satanismo mais profundo e capilar é a apoteose do homem». E finalmente,

4a) Com o que São Pio X disse em 1910 na encíclica E supremi apostolatus cathedra, em que identifica o culto ao homem com um sinal próprio do Anticristo.

Em suma, Montini e o Concílio contradizem o que as Escrituras (São Paulo) e a tradição patrística (Santo Agostinho) têm ensinado. Isto é, as fontes que são a Revelação divina e o Magistério (Pio X e Pio XII), que é o intérprete fiel do primeiro.

Se fomos assaltados pela dúvida de que esse culto ao homem e aquela religião do homem que se torna Deus, apresentada como dois pilares do Concílio, são uma opinião meramente subjetiva e pessoal de Montini, nos restará ler o que escreveu João Paulo II na encíclica Mergulha na misericórdia de 1980: «Embora as várias correntes do passado e do presente do pensamento humano tenham sido e continuem sendo propensas a dividir e até mesmo contrastar teocentrismo e antropocentrismo, a Igreja, por outro lado [a do Concílio, NdA] [...] tenta uni-las [...] de uma forma orgânica e profunda. Este é também um dos princípios fundamentais, e talvez o mais importante, do Magistério do último Concílio».

Em outras palavras, o Papa Wojtyła também ensina que Deus e o homem coincidem, isto é, que são a mesma coisa (que é o panteísmo) de acordo com a neoteologia conciliar. Pior ainda: aumente a dose e especifique, para quem gostaria de entendê-la, que «este é também um dos princípios fundamentais, e talvez o mais importante, do Magistério do último Concílio».

Não só isso: segundo Montini, o Concílio está permeado de imensa simpatia pela religião do homem, que quer se tornar igual a Deus. Ele tem tido a audácia de fazer seu o que a Palavra nos ensinou a nem cogitar fazer: tornar-se Deus. Portanto, não é exagero afirmar que a doutrina do Concílio Vaticano II é a própria doutrina do Anticristo e do antídoto.

Por fim, e também segundo Paulo VI, graças ao Concílio, a pretensão do homem moderno de se tornar igual a Deus equivaleria a nada menos que o exemplo de humildade e máxima de quando «despojou-se /exinanivit semetipsum» (Fp.2,7) o Verbo Divino quando se fez homem.

Temos outro como este coincidentia oppositorum, para piorar a situação entre o Diabo e Cristo, entre o Satanismo e o Cristianismo, que na Revelação divina fora solenemente rejeitado e condenado «Que harmonia entre Cristo e Belial?» (S. Paulo, II Co. 6:15), e que nos revela o caráter diabolicamente preternatural do Concílio e do pós-concílio.

Padre Gabriel Allegra citou Pio IX, que costumava dizer: «Três entidades costumam agir durante os concílios: Deus, o Diabo e o homem». Mais tarde, o Padre Allegra reconheceu: «Infelizmente, durante o Concílio Vaticano II tenho visto mais do que tudo a atuação do Diabo» (Ideo multum tenemur Ei, caderno III, 23 de agosto de 1975)2 (2).

A Igreja sempre ensinou que o mundo inteiro (não como criação física de Deus, mas no sentido moral e pejorativo –aqueles que vivem de acordo com o espírito mundano ou carnal, contrário ao angelical e divino– está sujeito ao Diabo de acordo com o dilema ou Deus ou o eu, ou a verdade ou a mentira, ou Deus ou Mamom.

Daí o Maligno também ser chamado de «o príncipe deste mundo» (Jn.12,31; 14,30) e «o deus deste mundo» (2 Cor. 4,4). O reino de Satanás se opõe ao de Deus (Mt.12:26). Satanás expulsa do coração do homem o bom grão da Palavra de Deus e o substitui pelo joio ou falso grão do erro (Mc. 4.15). O que é proposto é «entendimentos cegos para que não resplandeça (para eles) a luz do Evangelho da glória de Cristo» (2.O Cor. 4,4). O mundo de Satanás luta a tempo contra o Reino de Deus, mas no final Jesus o vencerá e derrotará definitivamente e conquistará o mundo (Jn.16:33). Até o fim do mundo haverá oposição entre os filhos de Deus e os do Diabo (Jn.8,44), que executam as suas obras (At. 13,10), que podem ser sintetizadas na impostura ou sedução (Jn.8,44; 1 Tm.4,2; Apoc. 12.9). Como resultado, a verdade e a justiça são substituídas pelo erro e pelo pecado (Rm.1,25; Stg. 5.19).

Satanismo

Em sentido genérico, Satanismo é o estado de satânico, ou seja, aquilo que é submetido e até consagrado a Satanás. O satanismo está totalmente impregnado e invadido pelo espírito de Satanás, o adversário de Deus e do homem.

Em sentido concreto, o termo satanismo significa três coisas: 1a) império de Satanás sobre o mundo. 2a) O culto a Satanás, e 3a) A imitação de sua rebelião contra Deus.

É preciso estudar as três coisas para apreender plenamente o conceito de satanismo e sua relação com a modernidade, a pós-modernidade e o Concílio Vaticano II.

1a) império de Satanás sobre o mundo

Santo Agostinho nos fala de duas cidades, a de Deus e a do Diabo, que se fundamentam em dois amores opostos: o eu e Deus (Da civilidade Dei, XIV, 18).

De uma forma radicalmente contrária ao que Montini afirmou no encerramento do Concílio, Pio Cristianismo, aplica os dois falsos caminhos do coletivismo socialista e do individualismo liberal, que levam a humanidade à aniquilação, primeiro no sentido moral e depois no sentido físico (Christmas Radio Message, 24 de dezembro de 1952, no. 12-30). Por outro lado, São Pio X descreve como substancialmente anticristão o culto do homem com o qual o próprio Paulo VI tem descrito o Concílio Vaticano II.

Cento e vinte e sessenta anos depois um do outro estamos experimentando os efeitos dessas duas terríveis profecias de Pio X e Paulo VI, que infelizmente se cumpriram.

Hoje, através da bondade puramente natural, o príncipe deste mundo tenta acorrentar os homens para mantê-los mais firmemente sob seu domínio, isto é, longe da verdadeira Igreja de Cristo3 (s).  O culto ao homem, característica essencial do reino do Anticristo, penetrou até as camadas mais altas do Vaticano e infectou totalmente o ambiente da Igreja e de todo o mundo.

2a) O culto a Satanás

Se se nega a existência do Diabo, nega-se também a adoração que lhe é prestada. Atualmente a vitória mais perigosa de Satanás é a de ter atrapalhado a Fé Católica em sua real existência. Não menos perniciosa é a superstição contrária, isto é, o culto que se paga a Satanás como suposta divindade, maligna, para compreender-se com ele e usá-lo em busca de benefício pessoal (honras, riquezas e prazeres).

Os antigos gnósticos identificavam Satanás com a serpente do Paraíso Terrestre (Ireneu, Adversus haereses, I, 24; Tertuliano, Praescr., 47), que foi exaltado por ter reivindicado os direitos dos homens, o culto ao homem, a apoteose do homem (culto ao homem reivindicado para o Concílio pelo próprio Montini: «Nós também, e mais do que ninguém, somos promotores do homem»!), que revelou a Adão o conhecimento (gnose) do bem e do mal, ensinando-o a rebelar-se contra os Mandamentos divinos. Para os gnósticos cainitas (cfr Irineu, ibid. I, 31), os verdadeiros libertadores são os grandes rebeldes que se levantaram contra Deus: Caim, Esaú, os sodomitas e sobretudo Judas, que libertou a humanidade de Jesus.

Monsenhor Antonio Romeo nos explica que «o culto a Satanás se concentra em massas negras [...] que lembram fórmulas e ritos maçônicos [...]. Sem dúvida, um covil secreto do satanismo é a Maçonaria, que herdou sua fé e costumes do gnosticismo cainita

Pois bem, sabemos que a Maçonaria (especialmente a Judaica, Bené Berit) teve papel fundamental pelo menos na elaboração de dois documentos do Concílio: Nostra aetate (28 de outubro de 1965) e Dignita humanoe personae (7 de dezembro de 1965)

3°) A rebelião satânica

Esta rebelião consiste na afirmação heróica do eu e na apoteose do homem, defendida em sua total integridade. Monsenhor Antonio Romeo escreveu: «Com o objetivo de lisonjear a vontade humana ou a liberdade que não reflete mais a vontade divina, alguns teólogos católicos passaram a arriscar o pecado [...] em uma atitude de perigo mortal que tem muitos pontos de contato com o titanismo atual»5.O.

Pois bem, o mesmo risco titânico de atrever-se luciferianamente a igualar-se a Deus foi exaltado por Montini como a grande conquista do mundo moderno e do Concílio: «A religião do Deus que se tornou homem conheceu a religião –porque tal é– do homem que se torna Deus. [...] Nós também, e mais do que ninguém, somos promotores do homem!»

Conclusão

Partindo dessas premissas, a única conclusão lógica a que se pode chegar é que a teologia do Concílio Vaticano II –sintetizou com presunção por Montini na tese de que «a religião do Deus que se fez homem encontrou-se com a religião –porque tal é– do homem que se torna Deus» vem da antropolatria e leva inevitavelmente ao luciferianismo, ou seja, a pretensão do homem de se tornar igual a Deus, o que transformou um anjo bom em um anjo caído e mau, ou seja, o Diabo.

O que nos corresponde é 1a) não para seguir seus passos, mas para lutar sob a bandeira de São Miguel Arcanjo, que diante dele non serviam de Luciferexclamou: «Quem é como Deus6?» 2a) Segue a escola de Santo Agostinho, segundo a qual o Verbo de Deus se fez homem para que o homem não ousasse se igualar a Deus (Falas, LXXVII, 11-12).

Infelizmente, o Concílio, como declarou Montini, supõe a imprudência daqueles que têm a audácia de se tornarem iguais a Deus e, como profetizou Pio XII, consiste na apoteose luciferiana do homem.

Portanto, para não acabar como Lúcifer, que foi lançado num inferno criado propositalmente para ele, é necessário pensar e agir de forma diametralmente oposta (agere contra por diamétro) ao que pensou e fez o Concílio Vaticano II: despojar-se como a Palavra em vez de exaltar-se como Lúcifer, porque «o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado» (Lc., XIV, 11). (Fonte: Adelante La Fe)

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