Um bispo brasileiro pede aos jovens que se casem no altar e não em praias ou clubes

20/08/2026

Finalmente um bispo brasileiro diz a verdade sem medo

«Você cuida suficientemente do seu casamento? Você, que está separado por causa de tantas coisas, adultério, falta de santidade, falta de missa, falta de fé, não é hora de se arrepender desses pecados?».

Por INFOCATOLICA

((S)ACIDigital/InfoCatólica) Há momentos em que ouvir pregar coisas tantas vezes sem complexos é notícia. Mons. Adair José Guimarães, bispo de Formosa (Goiás, Brasil), exortou os jovens a celebrarem o matrimônio no altar e lamentou a crescente tendência de se casarem em clubes, praias ou lagos, durante a missa do décimo dia de peregrinação Abadia Nossa Senhora de Muquém 14 de agosto, memória do são Maximiliano Maria Kolbe

«Quando vejo aqueles jovens, especialmente da classe alta, pedindo para se casar em um clube, casando-se na margem da praia, do lago, dessas coisas, meu coração se entristece. Não sabem o que é casamento. Ninguém pode se casar fora do altar», afirmou o bispo diante dos peregrinos.

Eucaristia e casamento, um vínculo inseparável

Mons. Guimarães dedicou sua homilia aos estados de vida na Igreja, com especial atenção ao matrimônio, tema do Evangelho proclamado na celebração. O bispo frisou a ligação entre a Eucaristia e a vida conjugal: «Um casal que vai à missa todos os domingos, que reza, que reza o terço, nunca se separa. Um casal que adora Jesus na Eucaristia, que ama Nossa Senhora, nunca se separa, não importa o quê».

Citando são João Paulo II «o casamento católico é um cruz», e é por isso que «não é fácil ser casado», da mesma forma que «não é fácil ser padre, nem diácono permanente, nem bispo». «Tudo na Igreja é difícil, porque é a cruz que guia nossas vidas», acrescentou.

O bispo questionou diretamente os peregrinos casados: «Você dá atenção suficiente ao seu casamento? Você, que está separado por causa de tantas coisas, adultério, falta de santidade, falta de missa, falta de fé, não é hora de se arrepender desses pecados?».

O testemunho de um marido fiel

Mons. Guimarães compartilhou o testemunho de um casal que conheceu durante um congresso do Pastoral Familiar em Niquelândia (Goiás). A esposa, tetraplégica há 18 anos por conta de um acidente, disse ao bispo que havia oferecido ao marido a possibilidade de procurar outras mulheres, uma vez que não podia cuidar dele. «Ele chorou diante dela e disse: "Eu prometi a você, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ser fiel a você"», disse o bispo. O marido confessou a ela que viveu «seu celibato, sua castidade».

«Esse é o estado da vida conjugal: o casamento é indissolúvel e único, e é realizado diante do altar», concluiu, enfatizando que «um sacerdote não é ordenado fora do altar nem ninguém é casado fora do altar», porque «Os estados de vida estão ligados ao altar, à Eucaristia».

Um apelo ao silêncio na peregrinação

O bispo criticou a dança, a embriaguez e outras atividades celebradas durante a peregrinação, que comemora 300 anos de história. «Essas danças, esses tumultos de quartéis de dança, prostituição, bebedeira são inconcebíveis. Isso não é de Deus», afirmou Mons. Guimarães, que confessou ter passado horas acordados à noite ouvindo música e barulho.

O bispo disse que sonhou com um «Muquém silencioso, como a peregrinação de Fátima, Lourdes, Loreto» ou «as peregrinações de São Padre Pio em Pietrelcina», onde «silêncio é ouvido».

Confissão e conversão, coração da peregrinação

Mons. Guimarães apresentou a conversão como elemento essencial de toda peregrinação: o alecrim «chega, visita Nossa Senhora e busca melhorar de vida» buscando o sacramento da reconciliação. «Uma peregrinação que não tem confissão não é uma peregrinação», afirmou ele, acrescentando que «um peregrino que vem para a peregrinação cheio de pecado e volta para casa sem confessar não fez o seu caminho».

O bispo apontou que «muitos católicos deixaram a Igreja Católica para se tornarem evangélicos por causa da confissão» e relacionou a crise moral do país com a falta de prática sacramental: «Você acha que os corruptos de Brasília, aquela corrupção que entrou no Brasil de forma avassaladora, aquele governo corrupto, parlamento corrupto, você acha que essas pessoas se tornam católicas?».

De acordo com o bispo, muitos políticos «batizados na Igreja Católica» falham «em viver como católicos porque precisam confessar». O confessionário, afirmou, é «o tribunal mais terrível que temos no mundo», porque diante de um corrupto arrependido, o sacerdote «só pode dizer: "Deus só pode perdoá-lo se você devolver o dinheiro"». «Por isso é melhor entrar em uma dessas outras igrejas, seitas, levantar a mão, entregar-se a Jesus e seguir em frente, porque você não precisa limpar sua consciência», ironizou.

«Ser católico é a coisa mais difícil do mundo. A religião mais difícil que existe no mundo é a católica», concluiu Mons. Guimarães. (Fonte: INFOCATOLICA)

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