O verdadeiro problema do momento é o culto ao homem (1a.parte)
Imutabilidade e desenvolvimento homogêneo da verdade revelada

Na teologia do Concílio (Dignitatis humanoe personae) é exaltado como princípio absoluto e intocável dignidade da pessoa humana, a cujos direitos se subordinam a verdade e o bem.
Por Adelante La Fe
Esse conceito inaugura a religião antropocêntrica do homem, o culto da falsa liberdade em lugar da verdade1; E nos faz esquecer a austeridade cristã e a bem-aventurança celestial.
No campo da moral e dos costumes, o mesmo princípio esquece o ascetismo cristão, dado que o homem tem de buscar a sua plenitude na Terra. A religião do homem põe o prazer à frente do dever, e com base nisso justifica os métodos contraceptivos e Casamento dos divorciados e recasados e a de pessoas do mesmo sexo.
Na vida pública, a religião do homem não compreende hierarquias e preconiza o igualitarismo próprio da ideologia marxista, que é contrário aos ensinamentos naturais e revelados, e a prova de que há uma ordem social que a própria natureza exige.
Na vida religiosa, o mesmo princípio preconiza um ecumenismo que coloca todas as religiões em acordo em benefício do homem. Promove uma Igreja transformada em instituição de assistência social. Daí a excessiva preocupação com a promoção social, como se a Igreja fosse uma organização beneficente mais ampla. Daí também, e do mesmo modo, a secularização do clero, cujo celibato é considerado absurdo, assim como é considerado estranho o modo de vida do sacerdote e da batina, intimamente ligado à sua condição de pessoa consagrada exclusivamente ao serviço do altar.
Na liturgia, o sacerdote é reduzido a um mero representante do povo ou presidente da assembleia. É claro que o relaxamento moral e a dissolução litúrgica não podem coexistir com a imutabilidade do dogma.
O relativismo e o modernismo do novos teólogos
Os novos teólogos pós-conciliares se comportam da mesma forma. Não estão atentos à realidade, cuja modo de expressão pode variar, uma vez que apesar de tudo o representa tal como é. Ao contrário, o que propõem é satisfazer a mentalidade moderna. Para eles, a atuação da Igreja consiste em adequar sua doutrina a essa mentalidade subjetivista, relativista e imanentista.
Ora, da mesma forma que o homem moderno forjou seu pensamento em um ambiente cultural inteiramente voltado para as aparências, para o subjetivismo e para os fenômenos, e contrário à metafísica, segundo os novos teólogos, para não entrar em colapso a Igreja precisa ajustar sua doutrina a essa forma de pensar, para a qual o dogma se desenvolve de forma heterogênea mudando seu sentido (isto é que muda de sentido substancialmente, passando de uma verdade a outra totalmente contrária) de acordo com as exigências culturais da época em que se afirma.
Imutabilidade e desenvolvimento homogêneo da verdade revelada
A verdade revelada é transmitida ao mundo em linguagem humana. Por ser imprópria, essa linguagem não consiste em mero simbolismo sem representações. É necessário que ele expresse objetivamente o mistério de Deus ainda que não o manifeste em toda a sua inesgotável riqueza. Por esta razão, as fórmulas dogmáticas não podem ser desenvolvidas intrinsecamente ou mudando substancialmente completamente o seu significado.
A fé, diz São Judas Tadeu, é transmitida de uma vez por todas. É imutável e invariável. Não está sujeito a adições, subtrações ou alterações intrínsecas ou heterogêneas. Ela pode ser iluminada, e pode ser transformada, apenas de forma homogênea e extrínseca, como um ser vivo que se desenvolve e se aperfeiçoa sem perder a própria natureza, o que torna o indivíduo sempre o mesmo.
Importância das fórmulas dogmáticas
Portanto, uma vez que a Igreja é constituída pelo Espírito Santo para exprimir com exatidão o conceito revelado, é vital manter as fórmulas estabelecidas pela Tradição e pelos concílios dogmáticos. Essa linguagem dogmática só pode sofrer alterações meramente acidentais eodem sensu eademque sententiam, mas não pode ser modificado de cima para baixo ou substancial e intrinsecamente de maneira heterogênea.
No entanto, desde o Concílio Vaticano II, por uma questão de aggiãoarmento, não estamos presenciando outra coisa senão o desprezo pela moralidade8 . e fórmulas dogmáticas tradicionais.
Vejamos um exemplo: em resposta ao simbolismo protestante, retomado pelo modernismo, o Concílio de Trento consagrou a palavra transubstanciação para indicar a mutação total das substâncias do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Essa palavra expressa a ideia do que objetiva e realmente acontece no altar na Santa Missa no momento da Consagração, e garante a Presença Real, física e substancial de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, mesmo após a celebração do Santo Sacrifício.
Bem, por ser um termo aristotélico que não concorda com as correntes filosóficas vigentes, a palavra transubstanciação não só não aparece apenas uma vez no Instrução geral do Missal reformado em 1969 por Paulo VI, e não na segunda edição de 1979 mas é rejeitado pelos expoentes do nova teologia. Estes, entre os quais se destaca Schillebeeckx, substituem-na por vozes como transignificação ou ou transfinalização, que põe em xeque o mistério da Eucaristia e da Presença Real.
Na prática, perdem sentido os sinais de adoração e respeito ao Santíssimo Sacramento, como a comunhão nos joelhos e na língua, a patena, o véu, a purificação dos dedos do celebrante (e do solo se cair acidentalmente uma Hóstia consagrada), a bênção com o Santíssimo Sacramento, as visitas ao Tabernáculo, etc.
Subversão doutrinária
Se for usada outra palavra que não seja sinônimo, é natural que o conceito ou ideia e a doutrina também sejam modificados. Isso vale para todas as palavras arquitetadas pelos teólogos aggião', e a consequência não é outra senão a incerteza quanto à própria fé. A nova terminologia introduz nem mais nem menos na prática uma nova e heterodoxa doutrina pastoral. Não estamos mais no cristianismo autêntico; houve um rompimento com a Tradição divina e apostólica.
Por outro lado, as inovações não se limitam a uma mudança de vocabulário. Vão ainda mais longe. Na realidade, instigam a subversão total na Igreja.
Levando em conta que a filosofia moderna supervaloriza o homem e o faz juiz de todas as coisas, a nova doutrina pastoral funda a religião do homem. Eliminar tudo que possa impor uma imposição à liberdade ou colocar rédeas na espontaneidade humana. Reduz a Queda original e atenua a noção de pecado. Não compreende o significado da renúncia evangélica, e promove uma religião natural baseada em dados psicológicos e sociológicos.
O remédio para um mal tão grave: a fidelidade à Tradição divina e apostólica
São Paulo resume a norma do Magistério eclesiástico com estas palavras: «Ainda que nós
eles mesmos, ou um anjo do céu, pregariam a vocês um Evangelho diferente daquele que nós lhes anunciamos, seja anátema». Não só isso; não somos os juízes da Palavra de Deus. É ela que nos julga e revela nossa conformidade com a moda do mundo.
Importância da Tradição divina e apostólica
A tradição tem tanto valor que as próprias encíclicas e outros documentos do Magistério ordinário universal ou do Sumo Pontífice só são infalíveis quando têm por finalidade definir uma verdade como divinamente revelada e obrigá-la a crer, como nos ensinamentos confirmados pela Tradição; isto é, pelo constante ensino da doutrina desenvolvida por vários papas durante um tempo considerável (quod sempre, ubique et ab omnibus creditum est). Consequentemente, um ato de magistério pastoral universal ordinário ou de pontífice que contradiga um ensinamento garantido pela tradição magisterial de vários papas durante muito tempo não pode e não deve ser aceito.
Regra para avaliar as novidades heterodoxas
O critério de verificação dos desdobramentos advindos do Concílio e do pós-conselho é o seguinte: Concorda com a Tradição? É fruto de uma má legislação? Não se conforma com a Tradição, é contrária a ela ou a minimiza? Bem, nesse caso não é aceito.
Tradição não é o mesmo que imobilidade. É crescimento, mas nos mesmos moldes, no mesmo sentido, a mesma direção. Crescimento dos seres vivos que são sempre os mesmos mesmo se desenvolvendo.
Por essa mesma razão, as formas e costumes da Igreja que caíram em desuso não podem ser considerados tradicionais e ela não os incorporou à exposição de sua doutrina ou de sua disciplina. A tendência oposta foi descrita por Pio XII como arqueologia insana.
Em vista do qual, adotemos em regra o seguinte princípio: quando é evidente que uma novidade foge à doutrina tradicional, é certo que ela não deve ser admitida.
Várias formas de corromper a Tradição divina e apostólica
Há várias maneiras de contribuir para a derrubada da Tradição. Também podem ser classificados de acordo com uma escala que vai da oposição declarada ao desvio quase imperceptível. E este último é o mais perigoso, porque é mais difícil de detectar.
Temos um exemplo de indisfarçável oposição na diversidade de atitudes adotadas pelos teólogos, e mesmo pelas autoridades eclesiásticas (como as conferências episcopais alemã, belga, francesa e holandesa) de categórica rejeição às disposições da encíclica Humanae vitae.
Aliás, o documento magistral de Paulo VI que declara ilícito o uso de anticoncepcionais faz parte de uma ininterrupta tradição do Magistério eclesiástico até o Casti Connúbii de Pio XI de 1931, a ponto de os teólogos considerarem que comporta infalibilidade. Não aceitá-la e ensinar o contrário do que ela prescreve, ou aconselhar práticas condenadas pelo referido documento, é um exemplo típico de negação ao ensino tradicional e até infalível, e portanto da Fé.
O engano é mais sutil quando a Tradição é atacada através de explicações dogmáticas do que (sem negar de jure termos tradicionais) são de fato incompatíveis com a verdade revelada. Por exemplo, continue fazendo uma profissão de fé na Santíssima Trindade, mas substitua sistematicamente a palavra consubstancial para outros que não possuem o mesmo significado, como «da mesma natureza».
Há também desvios para a heresia, através de deduções que ampliam o conteúdo das premissas. E assim, afirma-se que o Sumo Pontífice, em virtude do coleguismo episcopal, não se pode tomar uma decisão sem ter ouvido o colégio episcopal, que é a grupoou ou e.eestável, que significa incorrer indireta e implicitamente no conciliarismo, que inverte a estrutura da Igreja de Cristo (cf. Lúmen gentium).
Mais sutis ainda são os novos usos, sobretudo no campo litúrgico, que substituem os anteriores (comunhão na mão, Cânon necessariamente rezado em voz alta, etc.) e insinuam outros conceitos religiosos. É claro que os que sofrem com a reforma e os que a têm promovido não têm a mesma responsabilidade nesta revolta contra a Tradição. No entanto, nas circunstâncias atuais, todas essas alterações representam um risco para a Fé.
Daí que é necessária uma vigilância cuidadosa de nossa parte para que não assimilemos o veneno do luteranismo sem mal percebermos. Se há pessoas de boa fé que, por ignorância ou ingenuidade, não têm outra intenção em aceitar a notícia senão a de obter uma nova expressão litúrgica da verdadeira Igreja, há também, e sobretudo, a astúcia do Diabo que se aproveita dessas intenções para afastar os fiéis da ortodoxia católica. (Fonte: Adelante La Fe)







