Falar em línguas: O dom verdadeiro de pentecostes e a glossolalia moderna
Glossolalia, uma farsa protestante infiltrana no catolicismo

Nenhum fenômeno marca mais a diferença entre a piedade tradicional e a pentecostal do que o "falar em línguas". Valorizadíssimo em cultos evangélicos e hoje comum também em grupos carismáticos católicos, ele quase não aparecia nos catecismos antigos. Por quê?
Por Vida e Fé Católica
A própria origem do falar em línguas moderno, que na verdade não é falar mas glossolalia, uns ruídos imitando palavras que não tem nenhuma tradução, é extremamente suspeito pelo fato puro e simples de vir dos evangélicos pentecostais, seguidores de Lutero, o maior inimigo que o catolicismo já teve.
Por outro lado, tudo que é criado por Deus, tanto na natureza quanto em todos os meios, tem uma utilidade. Que utilidade tem a glossolalia? Por ai se percebe que é algo muito suspeito.
O que os catecismos tradicionais ensinavam
Tanto o Catecismo de Trento quanto o de São Pio X só falam de línguas ao explicar Pentecostes, Atos 2.
O ensinamento é único: era *xenoglossia*. Os Apóstolos falavam idiomas humanos verdadeiros que nunca tinham estudado, e cada ouvinte entendia em sua própria língua: "partos, medos, elamitas... todos os ouvimos falar em nossas línguas as maravilhas de Deus" At 2,9-11.
Características do dom verdadeiro segundo Trento:- Era língua humana real, com gramática- Era inteligível para os ouvintes- Tinha finalidade missionária: fazer povos entenderem o Evangelho- Não era para edificação pessoal.
São Pio X, por isso, não ensina o dom de línguas como oração do fiel comum. Para ele, os carismas extraordinários foram dados para fundar a Igreja no tempo apostólico. Só papas posteriores ao Concílio Vaticano II aceitaram a glossolalia o que é muito suspeito.
O que São Paulo realmente disse
A base usada hoje para justificar ruídos ininteligíveis está em 1 Coríntios 12
mas o mesmo capítulo limita
> "Se falo em línguas e não há intérprete, cale-se na igreja." 1 Cor 14,28> "Prefiro dizer na igreja cinco palavras com meu entendimento, para instruir os outros, do que dez mil palavras em línguas." 1 Cor 14,19> "Os carismas são dados para a utilidade comum." 1 Cor 12,7
A regra de Paulo é clara: se não há inteligência e intérprete, não é para ser usado em público.
O que mudou no século XX
*O pentecostalismo, a partir de 1906 nos EUA:* começou a chamar de "línguas" a glossolalia - sequência de sílabas repetidas, sem idioma identificável, sem sintaxe, que nem quem fala entende. Linguistas confirmam: não é língua, é vocalização extática.
A Renovação Carismática Católica, a partir de 1967:
importou a prática pentecostal. Foi reconhecida como movimento pela Igreja - Paulo VI, João Paulo II e Francisco a acolheram - mas o Catecismo de João Paulo II é muito prudente:
> n. 800: "Os carismas devem ser acolhidos com gratidão, mas submetidos ao discernimento dos pastores."> n. 801: "Cabe a eles julgar sua autêntica natureza."
O CCC nunca propõe o falar em línguas ininteligíveis como forma ordinária de oração do católico.
O problema pastoral: ruído, prestígio e imitação
A teologia moral clássica, com Santo Tomás e Santo João da Cruz, dá três critérios para um carisma ser verdadeiro:
Inteligibilidade:* Se foi dom de Pentecostes, tem que ser entendido. Ruído que ninguém entende, nem mesmo o que fala, não cumpre Atos 2.
Utilidade:* Se não edifica a assembleia e não tem intérprete, não cumpre 1 Cor 14.
Humildade e discernimento:* Quando todo o grupo é pressionado a "ter o dom" para provar que tem Espírito Santo, cria-se um ambiente de sugestão. Pessoas sinceras, para não ficarem de fora, começam a imitar sons. Os manuais tradicionais chamam isso de falso misticismo por contágio psicológico. Não é necessariamente malícia, mas deixa de ser carisma e vira auto-engano para ganhar mérito no grupo.
É por isso que a Igreja tradicional sempre exigiu intérprete, exame e silêncio quando não há interpretação.
A Igreja crê no dom verdadeiro de línguas. Aconteceu em Pentecostes como língua humana real para que povos ouvissem o Evangelho.
O que se vê hoje na maioria dos cultos pentecostais e em parte dos encontros carismáticos não é essa língua. É glossolalia: oração extática ininteligível, sem intérprete, sem utilidade comum, que São Paulo mandaria calar na assembleia.
Pode haver boa-fé e emoção sincera, mas teologicamente não se sustenta como o dom apostólico. Quando vira sinal de superioridade espiritual dentro do grupo, deixa de evangelizar os de fora e passa a enganar os de dentro. (Redação: Vida e Fé Católica)
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