
Depois de Lourdes, Mariazell: a FSSPX também não poderá celebrar seu rosário anual no santuário austríaco
Perseguição à tradição não tem mais fim

A diocese austríaca de Graz-Seckau negou este ano à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) o acesso à basílica de Mariazell para celebrar o seu tradicional ato público do rosário, previsto para o próximo dia 4 de outubro. Ao contrário de outras restrições impostas recentemente à Fraternidade, desta vez não estava prevista a celebração da Missa nem a administração de sacramentos.
Por INFOVATICANA
Assim o comunicou o sacerdote Johannes Regele, superior do distrito da Áustria da FSSPX, numa nota datada de 27 de agosto. O ato que deveria realizar-se no principal santuário mariano da Áustria compreendia a recitação do rosário, as ladainhas de Loreto, cânticos marianos e uma bênção. «Não nos é permitido entrar na basílica para rezar», afirma Regele.
A Fraternidade anunciou que manterá a peregrinação do dia 4 de outubro, embora tenha de modificar o seu programa. Os detalhes serão comunicados em breve.
Uma peregrinação anual desde 1996
A relação da FSSPX com Mariazell remonta a 1975, quando Marcel Lefebvre liderou uma peregrinação de cerca de 600 fiéis austríacos até ao santuário da Magna Mater Austriae. Já então não foi autorizada a celebração da Missa tradicional dentro da basílica, embora os peregrinos tenham podido realizar uma procissão e celebrar ali outros atos.
Desde 1996, o distrito austríaco organiza anualmente uma peregrinação a Mariazell coincidindo com o domingo do Rosário. No ano passado participaram cerca de 400 pessoas, que puderam entrar na basílica, rezar o rosário e renovar a sua consagração à Virgem.
A situação muda em 2026. Segundo a comunicação de Regele, a recusa afeta agora o próprio ato de oração pública que a Fraternidade costumava celebrar dentro do santuário.
O superior austríaco sublinha precisamente esta circunstância ao assinalar que aceitar o pedido apresentado à diocese «não teria constituído nenhum ato de desobediência para com Roma», já que a FSSPX não pretendia celebrar a Missa nem administrar nenhum sacramento na basílica.
Regele pediu aos seus fiéis que recebam a decisão «com coragem» e rezem por aqueles que, segundo as suas palavras, «perseguem» a Tradição católica. «Encontraremos uma boa solução», assegura.
A diocese acolheu atos inter-religiosos e celebrações ligadas ao Orgulho
A decisão produz-se numa diocese que, nos últimos anos, autorizou ou apoiou iniciativas de sinal muito diferente.
Em julho de 2021, uma paróquia católica de Graz acolheu uma oração cristã-muçulmana. A própria informação diocesana sobre aquela convocatória assinalava que cristãos e muçulmanos tinham rezado juntos e defendia que «a oração comum é possível».
Nesse mesmo ano, o bispo de Graz-Seckau, Wilhelm Krautwaschl, expressou a sua «decepção» depois de a Congregação para a Doutrina da Fé ter respondido negativamente à possibilidade de abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Após a publicação de Fiducia supplicans em dezembro de 2023, Krautwaschl acolheu favoravelmente o novo documento sobre as bênçãos de casais em situações irregulares e casais do mesmo sexo.
O site da diocese promoveu ainda em 2024 uma celebração ecuménica relacionada com o Christopher Street Day, a marcha do Orgulho de Graz, à qual se convidavam pessoas «queer ou não queer». Outra convocatória semelhante realizou-se em junho deste ano com a participação de uma estrutura pastoral católica local.
Em 2025, duas paróquias católicas de Graz, Christkönig e Schutzengel, receberam ainda uma certificação pela sua participação na denominada «pastoral arco-íris». O programa prévio incluiu atividades relacionadas com Out in Church e uma «via-sacra queer», e contou com apoio financeiro da diocese, segundo a documentação recolhida pela FSSPX.
O contraste foi destacado pela própria Fraternidade ao informar da proibição do seu rosário em Mariazell. A diocese de Graz-Seckau não tornou pública, até ao momento, uma explicação detalhada da decisão.
Depois de Lourdes, Mariazell
A medida austríaca chega poucas semanas depois de o bispo de Tarbes e Lourdes, Jean-Marc Micas, ter retirado à FSSPX a autorização para celebrar publicamente a Missa, administrar sacramentos e organizar atos públicos de oração no santuário francês.
Naquele caso, Micas explicou expressamente as razões da sua decisão. Ligou-a às consagrações episcopais realizadas pela Fraternidade em Écône, Suíça, no passado dia 1 de julho sem mandato pontifício e às consequências canónicas declaradas posteriormente pela Santa Sé.
A proibição de Lourdes não impede que sacerdotes e fiéis ligados à Fraternidade entrem individualmente no santuário ou se dirijam à Gruta de Massabielle para rezar em privado. O que fica excluído são os atos públicos organizados pela FSSPX.
A Fraternidade respondeu anunciando que manterá a sua peregrinação internacional prevista entre os dias 23 e 26 de outubro. Ao fazê-lo, contrapôs a proibição com uma peregrinação cristã-muçulmana que Lourdes acolheu em 2025 e manifestou a sua «pena» e «incompreensão» perante a decisão de Micas.
Agora, na Áustria, a FSSPX afirma encontrar-se perante uma segunda restrição num dos grandes santuários marianos europeus. Em Mariazell, no entanto, o pedido era mais limitado: não pretendia celebrar a Missa nem administrar sacramentos, mas sim entrar na basílica para rezar publicamente o rosário, as ladainhas e realizar a consagração mariana anual.
Regele pediu aos fiéis que mantenham a peregrinação e rezem durante as próximas semanas especialmente «pela Igreja e pelos nossos países». No dia 4 de outubro, assegura, realizarão a peregrinação com um programa adaptado e renovarão de forma solene a consagração dos países do seu distrito à Virgem Maria. (Fonte: INFOVATICANA)
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