
A Igreja não é uma democracia: Cristo estabeleceu uma hierarquia, não uma assembleia
Sinodalidade é o grande perigo para a verdadeira Igreja de Cristo

Nos últimos anos, a palavra "sinodalidade" tornou-se uma das mais utilizadas nos ambientes católicos. Fala-se constantemente em escuta, participação, assembleias, consultas e decisões tomadas em conjunto. Tudo isso pode parecer positivo à primeira vista. Mas existe uma pergunta que não pode ser esquecida:
Por Vida e Fé Católica
Qual é a natureza da Igreja?
A Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo não é uma democracia, nem uma organização política na qual todos possuem a mesma autoridade para decidir seus rumos.
A Igreja é hierárquica.
Essa não é uma simples questão administrativa. É uma realidade que está ligada à própria instituição divina da Igreja e ao Sacramento da Ordem.
O poder da Igreja não nasce de uma votação
Nosso Senhor escolheu os Apóstolos e lhes deu autoridade para ensinar, governar e santificar. Essa autoridade foi transmitida aos seus sucessores.
São Pedro recebeu de Cristo uma missão particular e, com ele, os demais Apóstolos receberam a missão de governar e ensinar a Igreja.
Portanto, o Papa não recebe sua autoridade de uma assembleia de fiéis. O bispo não recebe o poder sacramental simplesmente porque uma comunidade o escolheu. O sacerdote não exerce o sacerdócio porque recebeu a aprovação democrática dos católicos.
A autoridade na Igreja vem de Cristo.
É por isso que existe uma diferença fundamental entre a Igreja e uma instituição democrática.
Na democracia, a autoridade procede dos membros da sociedade. Na Igreja, a autoridade sagrada procede de Deus.
Escutar não significa entregar o governo
É evidente que os pastores podem e devem ouvir os fiéis.
Um bispo pode consultar seus sacerdotes. O Papa pode consultar os bispos. Os leigos podem apresentar suas dificuldades, testemunhos e sugestões. A experiência dos fiéis pode ser útil para que os pastores conheçam melhor a realidade.
Mas existe uma diferença enorme entre ser ouvido e possuir autoridade para governar.
Uma consulta não é uma eleição.
Uma opinião não é um decreto.
Uma participação não é automaticamente um poder de decisão.
E uma assembleia sinodal não pode transformar a Igreja em um parlamento onde diferentes grupos negociam posições até chegar a um consenso.
O próprio Mons. Nicola Bux chama atenção para essa questão ao recordar que o Sínodo dos Bispos, em sua configuração tradicional, é essencialmente consultivo e não se confunde com um Concílio. Seu caráter deliberativo depende da autoridade do Papa.
Essa distinção é fundamental para evitar uma verdadeira confusão sobre a constituição da Igreja.
O perigo de transformar a Igreja em uma estrutura
Existe também o risco de se imaginar que os problemas atuais da Igreja serão resolvidos simplesmente modificando estruturas, criando novas comissões ou alterando constantemente normas e documentos.
Mas a crise da Igreja não é principalmente uma crise administrativa.
É uma crise de fé.
Não faltam documentos. Não faltam reuniões. Não faltam comissões. Não faltam assembleias.
O que falta, em muitos lugares, é aquilo que sempre constituiu a força da Igreja: fé em Jesus Cristo, vida sacramental, vocações, famílias católicas, sacerdotes santos, doutrina e conversão das almas.
Os grandes santos da Igreja não passaram a vida criando estruturas.
Eles anunciaram o Evangelho.
Santa Catarina de Sena enfrentou reis, cardeais e até o Papa para defender aquilo que considerava necessário para a Igreja. São Francisco de Assis renovou a vida cristã através de sua santidade. São Domingos combateu os erros de seu tempo pregando a Verdade.
Eles não fizeram a Igreja crescer porque criaram uma estrutura democrática.
Fizeram-na crescer porque foram testemunhas de Cristo.
O verdadeiro papel dos leigos
Valorizar os leigos não significa colocá-los no lugar do clero.
O leigo possui uma missão extraordinariamente importante: santificar sua família, educar os filhos na fé, defender a doutrina, dar testemunho de Cristo no trabalho e na sociedade e levar os princípios cristãos para o mundo.
É justamente aí que existe uma imensa necessidade de apostolado.
Quando uma mãe ensina o Catecismo aos filhos, quando um pai conduz sua família à Missa, quando um professor transmite a fé às novas gerações ou quando um trabalhador vive honestamente segundo os mandamentos, existe um verdadeiro apostolado.
O leigo não precisa tornar-se sacerdote para ser um grande apóstolo.
Da mesma maneira, o sacerdote não precisa abandonar sua missão espiritual para assumir funções sociais ou administrativas que não correspondem ao centro de sua vocação.
Cada membro da Igreja possui sua missão.
O perigo da "Igreja parlamentar"
É preciso, portanto, ter cuidado com uma concepção de sinodalidade que transforme a Igreja em uma espécie de assembleia permanente.
Se tudo precisar ser discutido por todos, se todas as decisões dependerem de consensos sucessivos e se a autoridade precisar constantemente negociar com diferentes grupos, corre-se o risco de enfraquecer justamente aquilo que Cristo estabeleceu: a autoridade dos pastores e, de modo particular, o primado de Pedro.
A Igreja precisa de comunhão, mas comunhão não significa ausência de autoridade.
Precisa ouvir, mas ouvir não significa entregar o governo da Igreja a uma assembleia.
Precisa consultar, mas consultar não significa transformar a consulta em soberania popular.
Voltar ao essencial
Talvez a pergunta mais importante para a Igreja hoje não seja:
"Como podemos criar uma Igreja mais sinodal?"
Talvez devêssemos perguntar:
"Como podemos levar novamente as almas a Cristo?"
Como recuperar as famílias?
Como aumentar as vocações?
Como levar os homens à Confissão?
Como ensinar novamente o Catecismo?
Como fazer os jovens conhecerem a doutrina católica?
Como devolver aos católicos o amor pela Santa Missa e pelos Sacramentos?
Como anunciar novamente que existe pecado, julgamento, Céu, inferno e necessidade de conversão?
Essas perguntas atingem o coração da crise.
A Igreja não precisa tornar-se uma democracia para ser viva. Ela precisa ser fiel àquilo que recebeu de Nosso Senhor.
Cristo não disse aos Apóstolos: "Votem para decidir o que ensinar".
Ele lhes disse:
"Ide, pois, ensinai todas as nações." (Mt 28,19)
A Igreja pode escutar seus filhos. Pode consultá-los. Pode conhecer suas dificuldades e aproveitar seus dons.
Mas sua missão, sua doutrina e sua autoridade não são produtos de uma votação.
A Igreja pertence a Cristo.
E aquilo que Cristo instituiu não precisa ser reinventado a cada geração.
O caminho para superar a crise não está necessariamente em criar mais estruturas, mas em voltar ao essencial: Cristo, a Verdade, os Sacramentos, a doutrina, a santidade e a salvação das almas. (Redação: Vida e Fé Católica) (com auxílio de IA)
Leia também







