A FSSPX apresenta um apelo contra a decretação do Dicastério para a Doutrina da Fé
A Fraternidade sustenta que a apresentação do recurso suspende automaticamente a execução do decreto

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) tem interposto recurso administrativo contra o decreto publicado em 2 de julho pelo Dicastério para a Doutrina da Fé. Conforme relatado pela própria Fraternidade em 13 de julho, o recurso foi apresentado em 11 de julho de acordo com os cânones 1734 e seguintes do Código de Direito Canônico.
Por INFOVATICANA
Que dizem os cânones invocados pela Fraternidade?
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X fundamenta seu apelo no cânones 1734 e seguintes do Código de Direito Canônico, que regula os recursos contra os decretos administrativos da autoridade eclesiástica.
- Cânon 1734. Antes de apresentar recurso hierárquico, aquele que se julgar prejudicado por decreto deverá requerer por escrito que seu autor o revogue ou modifique. Esse pedido deverá ser apresentado em até dez dias úteis após a notificação do decreto.
- Cânon 1735. A autoridade tem trinta dias para atender àquele pedido. Se modificar o decreto ou indeferir o pedido, começam, então, os prazos para interposição do recurso hierárquico.
- Cânon 1736. Quando a Lei estabelece que o recurso tem efeito suspensivo, o requerimento submetido na forma do cânon 1734 também suspende a execução do decreto. Nos demais casos, a suspensão pode ser requerida ao superior hierárquico.
- Cânon 1737. Em caso de insucesso do pedido inicial, o interessado poderá interpor recurso ao superior hierárquico competente nos quinze dias úteis previstos em lei.
- Cânon 1739. A autoridade que resolver o recurso pode confirmar o decreto, declará-lo inválido, revogá-lo, modificá-lo ou substituí-lo por outro.
De acordo com a FSSPX, a interposição do presente recurso acarreta a suspensão da execução do decreto nos termos do cânon 1353 do Código de Direito Canônico, enquanto a autoridade competente estuda a petição.
Um recurso anterior ao recurso hierárquico eventual
Em dele release, a Fraternidade explica que o documento apresentado constitui o procedimento prévio exigido pelo Direito Canônico antes da eventual interposição de recurso hierárquico contra ato administrativo da Santa Sé.
A FSSPX assinala ter exercido o direito reconhecido pelo direito canônico a qualquer pessoa ou instituição que considere que ato administrativo tenha causado prejuízo, solicitando que o referido ato seja revisto.
Da mesma forma, ele afirma que esta ação é realizada «em um espírito de respeito para com a autoridade eclesiástica» e com o propósito de buscar «justiça, verdade e o bem da Igreja».
O decreto está suspenso
A Fraternidade sustenta que a apresentação do recurso suspende automaticamente a execução do decreto, com base no disposto no cânon 1353 do Código de Direito Canônico, que regula os efeitos suspensivos de certos recursos administrativos.
Consequentemente, o decreto do Dicastério para a Doutrina da Fé não pode ser executado enquanto não for resolvido o apelo apresentado, conforme interpretação da própria Fraternidade.
Um reconhecimento do canal jurídico previsto pelo Direito Canônico
A apresentação do recurso pressupõe que o procedimento seja realizado pelas vias administrativas previstas no Código de Direito Canônico para impugnar decreto da Santa Sé.
Este recurso constitui o passo prévio obrigatório antes de ir, quando for o caso, a uma instância hierárquica superior dentro da ordem canônica.
Diferentemente do que ocorreu após as consagrações episcopais de 1988, quando a controvérsia foi tratada principalmente por meio de declarações canônicas e sanções, o procedimento atual é expressamente desenvolvido dentro do sistema de recursos administrativos previsto pelo Direito Canônico, com a intervenção do Dicastério para a Doutrina da Fé como autoridade competente para examinar a impugnação.
A Fraternidade conclui sua declaração confiando este processo à oração dos fiéis enquanto aguarda a resposta da Santa Sé. (Fonte: INFOVATICANA)







