Sal insosso: quem vai salgar?
Eles romperam o Evangelho, removendo dele tudo o que «poderia ferir a sensibilidade do ouvinte»

Também antes, mas especialmente a partir do Vaticano II, é evidente que o sal tornou-se insosso.
Por Juan Cruz
O clero em sua maior parte, salvando honrosas exceções –mais honroso, se possível, devido à sua escassez– na melhor das hipóteses divaga, se não algo pior. Muitos deles cochilam gentrificados, indolentes, rotineiros, passivos, entediados, sem entusiasmo ou vontade de tê-lo, como funcionários prestes a se aposentar. perderam a Fé, pois quem procede desta forma, na realidade, perdeu a fé. Porque ter fé é ter entusiasmo para converter almas, para modificar comportamentos errôneos, para pregar o Evangelho, para levar a palavra de Deus a todos os recantos espirituais e materiais onde o ser humano, longe de Deus, perece. Eles são o sal insosso que nos aborrece e odeia todos os dias com pastorais e homilias inviáveis, vazias, dolorosas e muitas vezes... Você pode vê-los em tudo, mesmo naquela atitude e naqueles comportamentos suaves, sentimentais, quase efeminados, muito longe da virilidade, da masculinidade, da força que sempre emana da vida de Nosso Senhor.
Eles romperam o Evangelho, removendo dele tudo o que «poderia ferir a sensibilidade do ouvinte», ou seja, do pecador. Eles torcem a palavra de Deus até que ela seja deixada em um discurso estúpido igual ao de qualquer um dos políticos estúpidos –e todos eles são– que temos que sofrer todos os dias. Abandonam o Evangelho, sem dúvida o melhor e insuperável projeto, político mesmo, que existe, para mergulhar no lamaçal do mundo, diluindo-se entre a multidão de mindundis que pululam por aquelas terras baldias. Cansados e fatigados, levaram até as ovelhas, as poucas que restam depois de anos transformando-as em ovelhas.
Quem vai salgá-los?
- Nós, católicos que não podemos nos resignar diante de tão dolorosa situação, nós que oramos incessantemente porque quem ora se salva, porque a oração é a base da manutenção da Fé; porque se Nosso Senhor, Filho de Deus, Deus e verdadeiro homem, se retirava diuturnamente para orar, quanto mais deveríamos fazê-lo.
- Nós, os que não nos contentamos com a palavra de Deus se perdendo no deserto desse tempo vazio e estúpido em que vivemos.
- Nós, o que fazemos cremos no Evangelho, em todo ele e, sem medo, o aceitamos por inteiro com tudo o que ele tem como alerta aos navegantes.
- Nós, aqueles de nós que sabemos que o catolicismo é a salvação, desde que seja assumido em toda a sua integridade, ou seja, em todo o seu sofrimento, em sua cruz, no caminho íngreme, na porta estreita, virilmente, virilmente, com masculinidade; e o que foi dito acima se aplica a todos... e a todos.
- Nós, aqueles de nós que quando vemos um padre dizer ou fazer atrocidades ou coisas estúpidas, primeiro por caridade, depois por indignação e depois por narizes, vamos até ele e o reprovamos; e não nos importamos se em noventa por cento dos casos ele nos mande passear com cara de destempero.
- Nós, aqueles de nós que se sentem privilegiados por sermos católicos de martelo e argamassa, católicos a ponto de morrer... mesmo que seja morte de cruz.
- Nós, aqueles que, apesar de nossas deficiências e pecados, que não deixamos de ser humanos, perseveramos tenazmente em nos ajustar a cada dia um pouco mais aos mandamentos, para sermos, ainda que possível, ainda mais católicos, sem titubear, sem meias medidas, sem mornidão.
- Nós, aqueles de nós que não estamos dispostos a nos deixar levar para o buraco por aquele clericalismo que hoje está na moda, cegueira que segue cegos, mornos, medíocres, afeminados, duvidosos, que contemplamos com indiferença a perdição das almas que lhes foram confiadas e pelo que terão de ser responsabilizadas. (Fonte: El Español Digital)







