Como era a imagem de Nossa Senhora Aparecida quando foi criada?

02/11/2026

A interessante história da imagem de Nossa Senhora Aparecida

Quando contemplamos a imagem de Nossa Senhora Aparecida, com seu característico tom escuro, o manto azul-marinho e a coroa de ouro, poucos imaginam que ela não tinha originalmente essa aparência. Na realidade, a pequena escultura que se tornou um dos maiores símbolos da devoção católica brasileira passou por profundas transformações ao longo de mais de três séculos.

Por Vida e Fé Católica

Sua história guarda detalhes bastante interessantes, inclusive sobre sua possível autoria, o material utilizado em sua fabricação, suas cores originais e as circunstâncias que contribuíram para que adquirisse a tonalidade escura pela qual é conhecida atualmente.

Conhecer esses aspectos permite compreender melhor a história material da imagem e a maneira extraordinária pela qual uma pequena escultura de barro, encontrada nas águas de um rio, se tornou objeto de uma devoção que atravessou gerações.

Uma escultura do século XVII

A primeira informação que merece destaque é que a imagem de Nossa Senhora Aparecida provavelmente foi confeccionada muito antes de 1717, ano em que foi encontrada pelos pescadores no rio Paraíba do Sul.

Os estudos de especialistas em arte sacra situam sua produção no século XVII, provavelmente por volta de 1650. Portanto, quando foi retirada das águas do rio, a escultura já poderia ter aproximadamente 60 ou 70 anos de existência.

A imagem foi confeccionada em terracota, isto é, argila modelada e posteriormente cozida em forno, técnica bastante utilizada na produção de imagens religiosas durante o período colonial.

A argila empregada seria proveniente da região de Santana de Parnaíba, no atual estado de São Paulo. A escultura é pequena, medindo aproximadamente 37 a 40 centímetros de altura, conforme as diferentes referências e medições encontradas nos estudos históricos.

Um detalhe interessante é que ela não foi produzida em madeira, como muitas pessoas imaginam, mas em barro cozido.

Quem foi o autor da imagem?

A autoria da escultura é outro aspecto pouco conhecido.

A imagem não possui assinatura nem qualquer documento que identifique diretamente seu escultor. Entretanto, estudos comparativos de especialistas em arte sacra apontaram para Frei Agostinho de Jesus, monge beneditino que viveu aproximadamente entre 1600 e 1661.

Ele era discípulo de Frei Agostinho da Piedade, outro importante escultor beneditino, conhecido por suas imagens religiosas em barro.

Segundo antigas crônicas beneditinas, Frei Agostinho de Jesus possuía especial habilidade artística. Uma dessas referências afirma que ele se dedicava à pintura e à confecção de imagens de barro, atividade na qual tinha especial talento.

A atribuição da imagem de Aparecida a esse religioso foi feita a partir da comparação de suas características artísticas com outras esculturas associadas à sua produção.

Entre os detalhes que chamam a atenção dos estudiosos estão:

  • O formato delicado e ligeiramente sorridente dos lábios.

  • O queixo com uma pequena covinha.

  • A delicadeza do rosto.

  • O penteado e os detalhes em relevo nos cabelos.

  • O pequeno broche de três pérolas na região da testa.

  • A maneira particular como as vestes foram representadas.

Essas características aproximam a escultura do estilo artístico de Frei Agostinho de Jesus.

É importante esclarecer que não existe uma assinatura que comprove definitivamente sua autoria. Trata-se de uma atribuição histórica e artística, sustentada pela comparação com outras obras do período.

A imagem originalmente era colorida?

Talvez esta seja uma das informações mais surpreendentes sobre Nossa Senhora Aparecida.

A imagem provavelmente não possuía originalmente a coloração escura que conhecemos hoje. Como era costume na produção de imagens religiosas do século XVII, acredita-se que ela tenha recebido uma pintura policromada.

A policromia consistia na aplicação de diferentes cores sobre a escultura, conferindo-lhe uma aparência mais próxima da representação artística tradicional de Nossa Senhora.

No caso da Imaculada Conceição, era comum a utilização de cores como azul, vermelho e outros tons associados à iconografia mariana.

Durante os trabalhos de restauração e os estudos realizados na pequena escultura, foram identificados vestígios de pigmentos, o que reforça a hipótese de que ela originalmente possuía pintura.

Assim, a imagem que hoje conhecemos como escura provavelmente apresentava uma aparência bastante diferente quando saiu das mãos de seu escultor.

Não se deve, contudo, imaginar que conhecemos com absoluta precisão a disposição de todas as cores originais. Não existe documentação completa que permita reconstruir fielmente sua aparência inicial.

Por que a imagem ficou escura?

Se originalmente possuía pintura, como adquiriu a tonalidade escura que hoje a caracteriza?

A explicação está relacionada a dois acontecimentos: o período em que permaneceu submersa no rio e a exposição prolongada à fumaça das velas e dos candeeiros.

Segundo a tradição histórica, em outubro de 1717, três pescadores encontraram a imagem no rio Paraíba do Sul. Primeiro apareceu o corpo, sem a cabeça. Depois, em outra tentativa de pesca, encontraram a parte que faltava.

A escultura provavelmente já estava bastante deteriorada. Os anos de permanência na água e no lodo do rio teriam contribuído para a perda de sua pintura original.

É preciso recordar que, naquele período, imagens religiosas danificadas ou quebradas podiam acabar descartadas nos rios. Essa circunstância ajuda a compreender como uma escultura religiosa poderia ter permanecido submersa.

Depois de encontrada, a imagem foi levada para a casa de um dos pescadores, onde passou a receber a veneração dos moradores da região.

Inicialmente, ficou em um pequeno oratório e, posteriormente, em uma capela.

Ali começou outro processo que contribuiria para sua aparência atual: a exposição contínua à fumaça produzida pelas velas e pelos candeeiros a óleo.

Essa fumaça deixava uma substância escura conhecida popularmente como picumã, que se acumulava sobre as superfícies. Como a escultura era de barro poroso e já havia perdido grande parte de sua pintura, a fuligem e os resíduos da combustão contribuíram para a tonalidade acanelada que passou a apresentar.

Portanto, não foi necessário que alguém pintasse deliberadamente a imagem de preto para que ela adquirisse sua aparência atual. A transformação ocorreu gradualmente, em consequência das condições às quais esteve submetida.

Um dado interessante é que documentos antigos, de meados do século XVIII, já descreviam a imagem como escura. Isso demonstra que sua aparência atual não é uma transformação recente, mas algo que já fazia parte de sua história desde os primeiros tempos da devoção.

A imagem encontrada pelos pescadores não tinha o manto azul e a coroa de ouro

Outro detalhe que merece esclarecimento é a aparência da imagem quando foi encontrada.

Muitos devotos estão acostumados a contemplar Nossa Senhora Aparecida com o manto azul-marinho, bordado, e a coroa de ouro. Entretanto, esses elementos não pertenciam à escultura original.

A pequena imagem representa Nossa Senhora da Conceição, com as mãos postas em oração e as características próprias da iconografia da Imaculada Conceição.

O manto que atualmente cobre a escultura é uma vestimenta acrescentada posteriormente, assim como a coroa.

A coroa de ouro foi oferecida pela Princesa Isabel em 1884. Entretanto, sua coroação solene aconteceu somente em 8 de setembro de 1904, quando a imagem recebeu oficialmente a coroa e o manto azul-marinho.

Assim, a aparência que milhões de brasileiros conhecem hoje é resultado de uma história de devoção que foi acrescentando elementos à pequena escultura ao longo dos séculos.

É interessante imaginar como ela era contemplada pelos primeiros devotos: uma pequena imagem de barro escurecido, sem a grande coroa e sem o manto que hoje a caracterizam. (Redação: Vida e Fé Católica) (Fonte de informações IA) 

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