Três chaves decisivas para o crescimento espiritual
Jejum é restrição do consumo do mundo, é privação do mal, e também privação do bem, em honra a Deus.

Certamente, se a pessoa assegura pela oração o seu relacionamento com Deus, pelo jejum da sua libertação do mundo, e pela esmola da sua caridade ao seu próximo, nessa tríplice coordenada encontrará o espaço de graça mais adequado para o seu crescimento em Cristo.
Por Padre José María Iraburu
—Jejum é restrição do consumo do mundo, é privação do mal, e também privação do bem, em honra a Deus. Devemos jejuar da alimentação, das despesas, das viagens, das vestimentas, leituras, notícias, relacionamentos, televisão e imprensa, shows, atividade sexual (1 Co 7:5), de tudo que é consumo ávido do mundo visível, moderando, reduzindo, simplificando, selecionando bem. A vida cristã é, no sentido estrito da palavra, uma vida elegante, isto é, uma vida pessoal, de dentro, que escolhe sempre e em tudo; o contrário, precisamente, de uma vida massiva e automática, em que as necessidades, muitas vezes falsas, e os padrões comportamentais, muitas vezes maus, são impostos pelo ambiente, de fora. É somente nesta vida elegante de jejum onde a pobreza evangélica pode se desenvolver plenamente.
—A oração faz com que o homem, liberto pelo jejum da imersão excessiva no mundo, volte-se para Deus, olhe para ele e o contemple, ouça-o e fale com ele, leia suas palavras e medite nelas, una-se a ele sacramentalmente, celebre com alegria repetidas vezes os sagrados mistérios da Redenção. Mas sem jejum, sem jejum do mundo, se alguém está preparado em seus estímulos e atrações, a oração não é possível. É o jejum do mundo que possibilita o vôo da oração. Quem tem oração sabe que por experiência. E ao mesmo tempo, sem oração, sem amizade com o Invisível, não é possível nem psicológica nem moralmente reduzir o consumo do visível. É a oração que possibilita o jejum e facilita.
—A esmola, enfim, faz o cristão voltar-se para o próximo, conhecê-lo, amá-lo, ouvi-lo, dar-lhe seu tempo e atenção, e dar-lhe ajuda, conselho, presença, dinheiro, casa, companhia, carinho. Mas o homem dificilmente está disponível ao seu próximo se não estiver livre do mundo e inflamado no amor de Deus. O cristão sem oração, preparado pelo consumo das criaturas, não é livre nem para Deus pelo jejum nem para os homens pela esmola. Está aprisionado pelo mundo, está perdido, está morto.
Já se vê, segundo isto, como a oração, o jejum e a esmola se possibilitam e se exigem mutuamente, formam um triângulo perfeito, no qual cada lado sustenta os outros dois, um triângulo sagrado que abre a vida do cristão a todas as suas dimensões fundamentais. Por isso, digo, parece ser doutrina tradicional na Igreja que a oração, o jejum e a esmola são os três conselhos evangélicos mais apropriados para intensificar nos leigos a sua consagração a Deus pelo batismo.
Alguns exemplos a serem obrigados a Deus.-
Há muitas maneiras diversas, inspiradas pela graça divina, de estabelecer certos laços de compromisso obrigatório com Deus. Um cristão pode se filiar a uma associação na qual haja, sem mais delongas, uma regulamentação dos deveres. pode afirmar com voto a sua fidelidade àquele conjunto de deveres. Você pode se comprometer com um ato de consagração pessoal para cumprir os estatutos de uma associação. E se o cristão não tiver a ajuda de uma associação, pode estabelecer sozinho ou com seu diretor espiritual uma regra de vida pessoal, comprometendo-se com um voto de guardá-la, ou pode limitar-se a fazer um ou dois votos, com a intenção de assegurar uma ou duas questões fundamentais de sua vida espiritual. Ou também pode ser integrada a uma comunidade em que todos os seus membros fazem certos votos, mas cada um o seu, segundo a sua graça e possibilidades.
As possibilidades, obviamente, são as mais diversas; cada uma tem suas vantagens e desvantagens, e todas são boas. De qualquer modo, todo cristão leigo que realmente aspira à santidade deve considerar conscienciosamente a conveniência de assegurar e estimular sua vida espiritual com uma dessas fórmulas de compromisso moral.
Embora as obrigações espirituais, livremente estabelecidas, possam utilmente ser ordenadas de várias maneiras, como vimos, aqui sugiro algumas, como exemplo, em torno da tríade sagrada da conversão cristã:
-Oração. Missa diária, ou pelo menos comunhão diária. Preparação ou meditação da Missa com Missal dos fiéis. Confissão quinzenal ou mensal. Leitura espiritual. Certos atos diários de consagração ou devoção pessoal. Oração do Ângelus e do Rosário, se possível em família, Laudes e Vésperas. Visitas ao Santíssimo Sacramento, Adoração Noturna. Direção espiritual. Frequência aos Retiros, primeiras sextas-feiras, Exercícios espirituais anuais. Jaculatória e oração contínua. O ETC.
–Jejum. Moderação total na alimentação, vestuário, sono, cuidados com o corpo. Limitar curiosidades vãs, em palestras, mídias, leituras. Uso da televisão - nunca assistir, nunca assistir sozinho, não assistir se não foi previamente escolhido no programa -. Austeridade nas despesas e aquisições, eliminação de luxos, restrição ou supressão de ocasiões perigosas - shows, revistas, bailes, piscinas e praias, viagens certas -. Fique longe dos costumes mundanos - em planos de férias, comportamento entre namorados -. O ETC.
-esmolas. Dedicatórias de tempo e trabalho, na família, no estudo, no ambiente de trabalho. Material - econômico, prestativo - ajuda ao próximo. Possíveis dízimos. Ajuda espiritual ao próximo, em casa, na catequese, na paróquia e outras associações. Colaboração com grupos apostólicos ou caritativos. Cuidados com idosos e doentes. Procurar uma família numerosa. Serviços para o bem comum da sociedade civil, da Igreja. Etc. (Fonte: El Español Digital)






