Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

01/01/2026

A maternidade divina da Virgem Maria

A Igreja celebra hoje, primeiro dia do ano civil, a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na oitava da Natividade do Senhor e no dia da sua Circuncisão. Os Padres do Concílio de Éfeso a saudaram como «Theotokos», porque nela o Verbo se fez carne, e o Filho de Deus acampou entre os homens.

((S)Informações Católicas/JMIraburu) Confessamos nossa fé no Credo: «Creio em um só Deus... Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, único Filho de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus... Que para nós, homens e para nossa salvação, ele desceu do céu. E por obra do Espírito Santo ele se encarnou de Maria, a Virgem, e se tornou um homem».

«Um Senhor, Jesus Cristo», uma Pessoa única, que subsiste em duas naturezas: verdadeiro Deus eterno e verdadeiro homem nascido no tempo, «nascido da mulher» (Gl 4:4), por obra inefável do Espírito Santo: «Santa Maria, Mãe de Deus». A geração humana de Jesus Cristo termina numa Pessoa, a pessoa divina do Verbo eterno. E se a Pessoa que subsiste na natureza humana, assumida através de Maria, é sempre divina, isso nos revela que a Virgem Maria é «a santa Mãe de Deus», a Virgem-Mãe, profetizada por Isaías, como a geradora de Emanuel, «o Deus conosco» (Is 7:14); a Virgem-Mãe evangelizada à Donzela de Nazaré pelo arcanjo Gabriel (Mt 1,18-23).

Esta é desde o princípio a fé da Igreja Católica, a mesma fé que, depois de muitas heresias cristológicas, foi dogmaticamente declarada no Concílio de Éfeso, no Terceiro Concílio Ecumênico (431).

Os santos Padres «não tiveram nenhum problema em chamar a santa Virgem de mãe de Deus, não certamente porque a natureza do Verbo ou sua divindade teve sua origem da santa Virgem, mas porque dela nasceu o santo corpo dotado de uma alma racional, ao qual o Verbo estava substancialmente unido, diz-se que o Verbo nasceu segundo a carne» (Denz 251).

«Se alguém não confessa que Deus é segundo a verdade o Emanuel, e que, portanto, a santa Virgem é Mãe de Deus (pois carnalmente deu à luz o Verbo de Deus feito carne), seja anátema (252)

Quando a notícia da divina Maternidade de Maria se espalhou como dogma da fé católica, todas as Igrejas locais, quando este Evangelho as alcançou, tremeram de alegria de imensa alegria. E confirmaram sua fé na Onipotência Suplicante da Santíssima Virgem.

Santo Atanásio. Carta a Epicteto 5-9

A Palavra estendeu a mão aos filhos de Abraão, afirma o Apóstolo, e por isso teve que se assemelhar em tudo aos irmãos e assumir um corpo semelhante ao nosso. Por isso mesmo, na verdade, Maria está presente neste mistério, para que dela a Palavra tome um corpo, e, como seu, o ofereça por nós. A Escritura fala do parto e afirma: Envolveu-o em faixas; proclamam-se bem-aventurados os seios que amamentaram ao Senhor, e, pelo nascimento deste primogênito, foi oferecido o sacrifício prescrito. O anjo Gabriel anunciara essa concepção com palavras muito precisas, quando disse a Maria não simplesmente «o que nascerá em ti» –para que não se acreditasse que fosse um corpo introduzido de fora–, mas de você, para que acreditássemos que o que foi gerado em Maria realmente veio dela.

As coisas aconteceram dessa forma para que a Palavra, tomando a nossa condição e oferecendo-a em sacrifício, a assumisse por completo, para depois nos cobrir com a sua condição, desse ao Apóstolo a oportunidade de afirmar o seguinte: Este corruptível tem que se revestir de incorrupção, e este mortal tem que se revestir de imortalidade.

Essas coisas não são ficção, como alguns julgaram; tal posição é inadmissível! Nosso Salvador era verdadeiramente um homem, e dele o homem inteiro alcançou a salvação. Porque de modo algum a nossa salvação é fictícia nem afeta somente o corpo, mas a salvação de todo o homem, isto é, alma e corpo, se realizou naquele que é a Palavra.

Portanto, o corpo que o Senhor assumiu de Maria era um verdadeiro corpo humano, como atestam as Escrituras; verdadeiro, digo, porque era um corpo igual ao nosso. Pois Maria é nossa irmã, já que todos nós nascemos de Adão.

O que João afirma: O Verbo se fez carne tem o mesmo sentido, como se pode concluir da forma idêntica de se expressar. Em São Paulo encontramos escrito: Cristo se fez maldito por nós. Pois ao corpo humano, pela união e comunhão com a Palavra, foi concedido um benefício imenso: de um mortal tornou-se imortal, de um animal tornou-se espiritual e do chão penetrou nas portas do céu.

Por outro lado, a Trindade, também depois da encarnação do Verbo em Maria, permanece sempre Trindade, não admitindo nem aumentos nem diminuições; é sempre perfeita, e na Trindade se reconhece uma só Deidade, e assim a Igreja confessa um só Deus, Pai do Verbo. (Fonte: INFOCATOLICA)