Que não te acusem de soberba por comungar de joelhos

09/03/2026

Ajoelhar-se tem sido sempre o gesto clássico da humildade cristã

Há uma acusação que se repete com uma leveza surpreendente toda vez que alguém defende a missa tradicional ou decide se ajoelhar para receber a comunhão: a soberba. Não se oferecem argumentos teológicos. Não se citam documentos do Magistério. Não se demonstra que esse gesto contradiga a fé da Igreja. Simplesmente se lança a desqualificação: "acham-se melhores", "querem aparentar mais fé", "sentem-se superiores".

Por Miguel Escrivá 

É um recurso pobre, mas eficaz. Quando não se pode atacar o gesto, ataca-se o coração de quem o realiza. O debate desaparece e é substituído por uma suspeita moral. Não se discute se ajoelhar é legítimo —algo que a tradição da Igreja considerou natural durante séculos— mas pretende-se julgar a intenção interior do fiel.

E aí está o abuso. Porque ninguém pode saber o que há no coração de outro. Ninguém pode afirmar que um jovem se ajoelha por soberba, do mesmo modo que ninguém pode afirmar que quem comunga de pé o faz por irreverência. O interior das pessoas pertence a Deus, não aos observadores da vez que se arrogam o direito de distribuir diagnósticos espirituais.

A acusação, além disso, é profundamente absurda. Ajoelhar-se tem sido sempre o gesto clássico da humildade cristã. O crente se ajoelha porque reconhece que não está diante de algo ordinário, mas diante de Cristo mesmo. Dobrar o joelho é admitir a própria pequenez. Converter esse gesto em uma prova de soberba exige inverter completamente seu significado.

O mais provável, de fato, é exatamente o contrário do que se insinua. Muitos fiéis —e especialmente muitos jovens— se ajoelham não porque se creiam melhores, mas porque precisam desse gesto para recordar diante de quem estão. Porque a forma, a tradição e o corpo ajudam a sustentar uma fé que sabem frágil. Não é uma exibição espiritual. É uma necessidade do coração.

Por isso, resulta tão injusto apontar quem se ajoelha como se estivesse fazendo uma declaração de superioridade moral. Na realidade, o único que está fazendo é adorar. E fazê-lo do mesmo modo como o fizeram gerações inteiras de católicos antes dele.

Convém dizê-lo com clareza: acusar de soberba quem se ajoelha ante a Eucaristia é um juízo temerário sobre a alma de outra pessoa. E esse tipo de juízos revela mais sobre quem os pronuncia do que sobre quem os recebe.

Por isso, se alguma vez sentires a pressão desses olhares ou dessas insinuações, não aceites esse chantagem moral. Não deixes que te façam crer que teu gesto de adoração é um ato de orgulho. Se tua consciência te leva a te ajoelhares ante Cristo, faze-o com serenidade e com humildade.

Porque ante a Eucaristia não se trata de parecer melhor que ninguém. Trata-se simplesmente de reconhecer quem é Ele. E, ante Deus, o joelho dobrado nunca foi soberba: sempre foi adoração. (Fonte: INFOVATICANA)

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