Que comunhão pode haver entre os santos que deram a vida pelo matrimônio e o Vaticano que o destrói?
A indissolubilidade do matrimônio e Amoris Laetitia

A crise que atravessa a Igreja Católica no século XXI atingiu o âmago da sociedade e da vida cristã: a família. Para o católico fiel à Tradição, a publicação e a aplicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, não representam apenas uma mudança pastoral, mas uma ruptura prática com o dogma da indissolubilidade do matrimônio.
Por Vida e Fé Católica
O contraste é violento. De um lado, temos o magistério moderno que, por meio de ambiguidades e "notas de rodapé", abre as portas da Sagrada Comunhão a divorciados em nova união sem a exigência do arrependimento e da emenda de vida. Do outro, erguem-se as figuras colossais de mártires que preferiram o carrasco a trair uma única linha do que Nosso Senhor ensinou sobre o casamento. O pior de tudo é que com Leão XIV tudo continua igual, pois este, além de não revogar Amoris Laetitia, assume a continuação do pontificado anterior com todas suas consequências.
O abismo de Amoris Laetitia e o fim do matrimônio prático
Ao permitir que pessoas em estado objetivo de adultério público (recasados) acedam à Eucaristia sem o firme propósito de abandonar o pecado ou viver em castidade total, o Vaticano moderno ataca a própria essência do Sacramento.
A injustiça com os fiéis de todos os séculos: Durante dois milênios, milhões de católicos suportaram matrimônios heróicos. Mulheres e homens que enfrentaram cônjuges impiedosos, traições sistemáticas e abandonos, mas que se mantiveram sós e fiéis ao juramento feito no altar, sabendo que sua fidelidade era o preço de sua salvação.
A Falsa misericórdia: Dizer ao fiel hoje que ele pode viver uma "segunda união" e comungar é, na verdade, uma crueldade espiritual. É dar-lhe a falsa certeza de que o pecado não tem consequências, desautorizando o sacrifício de todos os santos que vieram antes. Se o matrimônio pode ser "substituído" ou "ajustado" conforme a situação, então ele nunca foi, de fato, indissolúvel.
O testemunho de sangue: três Santos contra o mundo
A história da Igreja é selada pelo sangue daqueles que não aceitaram o "acompanhamento pastoral" que ignorava a Lei de Deus.
São João Batista: O precursor dos mártires do matrimônio
João Batista não foi morto por pregar o Jejum ou a oração, mas por dizer a verdade a um governante sobre sua situação matrimonial. Ao dizer a Herodes: "Não te é lícito ter a mulher de teu irmão" (São Mateus 14, 4), ele selou sua sentença de morte. João Batista não buscou um "caminho sinodal" de diálogo com o adultério de Herodes; ele preferiu a decapitação à omissão.
Santo Tomás Moro: O chanceler que não se dobrou
Amigo pessoal de Henrique VIII e homem de Estado, Tomás Moro poderia ter mantido sua cabeça, seu cargo e sua fortuna se tivesse assinado o documento que validava o divórcio e o novo casamento do rei com Ana Bolena. Sua resposta foi o silêncio e, finalmente, o cadafalso. Para Moro, a unidade da Igreja e a santidade do nó matrimonial não eram questões de opinião política, mas de Direito Divino.
São João Fisher: O único Bispo Fiel
Enquanto todos os bispos da Inglaterra, cedendo ao medo e à conveniência mundana, apoiaram a ruptura de Henrique VIII com a lei moral e com Roma, apenas o Bispo João Fisher permaneceu firme. Ele foi o único cardeal que não trocou a verdade do Evangelho pelo favor do rei. Sua execução em 1535 é o julgamento eterno contra todos os pastores que, por "misericórdia" mal interpretada, abandonam as ovelhas no erro.
Uma contradição insuportável
Como pode haver comunhão entre o espírito de João Batista, que denunciou o adultério, e o Vaticano que hoje parece acariciá-lo? Como podem Fisher e Moro ser celebrados nos altares se a causa pela qual morreram — a indissolubilidade do matrimônio — está sendo tratada como um ideal inalcançável e não como uma lei absoluta?
"O que Deus ajuntou, não o separe o homem." (São Mateus 19, 6)
Asseverar que a disciplina da Igreja pode mudar a ponto de admitir ao ápice da fé (a Eucaristia) aqueles que vivem em contradição direta com o Sacramento do Matrimônio é o mesmo que declarar que os mártires morreram por um detalhe burocrático. O catolicismo tradicional rejeita essa visão. A Igreja não pode desautorizar sua própria oração e seus próprios santos sem perder sua identidade. Entre o erro moderno e o sangue dos mártires, o fiel sabe que a única segurança reside na Tradição que não muda com os séculos. (Redação: Vida e Fé Católica)
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