Pode haver fé sem bondade?

24/11/2023

Parece que a fé subsiste fora da bondade, pois aquilo que cremos necessariamente não há de ser aquilo que praticamos.

No mais, supõe-se que o ladrão da cruz fora salvo independentemente de qualquer ato de bondade ou justiça que tenha praticado.

Por fim, dada imperfeição do ser humano, supõe-se que a bondade lhe seja uma virtude impossível.

MAS EM CONTRÁRIO:

TUA FÉ, QUE COMPARTILHAS CONOSCO, SEJA ATUANTE E FAÇA CONHECER TODO O BEM QUE SE REALIZA ENTRE NÓS POR CAUSA DE CRISTO." (FIILEMÔN 1. 6)

SOLUÇÃO:

O juízo de Deus não separará o indivíduo de sua história, razão porque a fé não pode ser separada das ações concretas da vivência humana:

'PORQUE TODOS DEVEMOS COMPARECER ANTE AO TRIBUNAL DE CRISTO, PARA QUE CADA UM RECEBA SEGUNDO O QUE TIVER FEITO POR MEIO DO CORPO, OU BEM, OU MAL." (II Coríntios 5.10)

A fé nos torna partícipes da vida em Deus por intermédio de Jesus.

Ora, impossível participar da vida Divina, sem participar das virtudes e do caráter divino:

"PROCLAMAM QUE CONHECEM A DEUS, MAS NA PRÁTICA O RENEGAM, DETESTÁVEIS QUE SÃO, REBELDES E INCAPAZES DE QUALQUER BOA OBRA." (Tito 1.16)

Não é possível ser cristão nas ideias e palavras, e, antagonicamente, inimigo do cristianismo nas ações e atitudes.

'A FÉ ILUMINA AS RAÍZES MAIS PROFUNDAS DO NOSSO SER: PERMITE-NOS RECONHECER A FONTE DE BONDADE QUE ESTÁ NA ORIGEM DE TODAS AS COISAS, E CONFIRMA QUE NOSSA VIDA NÃO DERIVA DO NADA, NEM DO ACASO, MAS DE UMA CHAMADA PARA A PRÁTICA DE UM AMOR PESSOAL EM DEUS.'

Não se pode dizer fiel, se por atos, posturas e condutas, defende-se tudo que é contrário a própria fé, como a violência, ganância, tortura, intolerância religiosa e todo maldade que nos conduz a destruição, enquanto sociedade ou indivíduo.

'A FÉ NASCE DO ENCONTRO COM O AMOR DE DEUS, QUE MOSTRA O SENTIDO DA BONDADE EM NOSSAS VIDAS. É ILUMINADA NA MEDIDA EM QUE SE TORNA CAMINHO PARA O EXERCÍCIO DA PLENITUDE DO AMOR.

Todo autêntico cristão é, (ou deveria ser) por definição, a expressão do querer bem ao próximo, da caridade, da misericórdia e partilha.

A fé perfeita, moldada no amor Divino, não julga temerariamente; não faz acepção de pessoas; não rejeita os pobres e as minorias socialmente desamparadas; não convoca "guerras santas"; não conspira; não justifica roubos; não se coloca à venda para enriquecer seus mercadores; não trai; não mente; não mata; não maltrata; não difama; não coloca em seus seus fiéis a ideia de que são melhores e superiores as outros que não partilham da mesma fé; não se deleita na desgraça alheia; e nem se alegra na destruição do nosso semelhante.

Só a fé que tem a bondade em sua essência, nos capacita valorizar a importância das relações humanas.

Crer não nos afasta do mundo ou das pessoas, nem se alheia aos esforços para edificação de uma sociedade e de uma religiosidade nas quais verdadeiramente se acolha a imagem de Cristo.

É o instrumento preparatório para um mundo onde o legado de Cristo seja bem aceito e frutifique em ações concretas.

Crer nos impõe a consecução proativas das ações de bondade pelas quais nos tornamos seus imitadores.

Ora, a prática do ato de fé é o que diferencia o fiel do infiel:

O FIM DO MANDAMENTO É O AMOR, FRUTO DE UM CORAÇÃO PURO, DE UMA BOA CONSCIÊNCIA E DE UMA FÉ NÃO FINGIDA.' (I TIMÓTEO 1.5)

Por isso, Deus identifica, mede e julga a fé por meio das nossas ações concretas, e não por nossas ideias ou por palavras que se diluem ao vento:

TU TENS FÉ, E EU TENHO OBRAS. MOSTRA-ME A TUA FÉ SEM OBRAS, E EU TE MOSTRAREI A MINHA FÉ PELAS MINHAS OBRAS.' (SÃO TIAGO 2, 18)

'E OS MORTOS FORAM JULGADOS, CONFORME O QUE ESTAVA ESCRITO NESSE LIVRO, SEGUNDO AS SUAS OBRAS.' (Apocalipse 20. 11 a 15)

Se diz de perfeita e servível a fé, quando faz parte integrante da nossa realidade:

AQUELE QUE DIZ CONHECÊ-LO E NÃO GUARDA OS SEUS MANDAMENTOS É MENTIROSO E A VERDADE NÃO ESTÁ NELE." (I São João 2,4)

Acreditar em Cristo é viver a busca pela bondade e perfeição, desvinculando-se, dia após dia, dos atos de maldade e defeitos com os quais não nos será permitida a comunhão com Deus, além de nos fazer inimigos dele.

Todo gesto, ato ou conduta que se opõe a fé a matará.

A fé, como fruto do Espírito Santo de Deus é indissociável da bondade:

PORQUE O FRUTO DO ESPÍRITO ESTÁ NA BONDADE, JUSTIÇA E VERDADE.' (EFÉSIOS 5.9)

A fé nos impele buscar a Deus.

Sendo ele a Suma Bondade, a fé que ainda não se encontrou com a bondade, é porque antes de tudo não se encontrou com Deus.

E se não há bondade na fé, não há amor, e quem ama não conhece a Deus.

A bondade é o equilíbrio da fé.

É o que não permite que esta se corrompa nos prejudiciais excessos da imoderação, se transformando em fanatismo que é a expressão máxima da maldade religiosa, pois sobre a fé restou dito:

'PENSE EM SI MESMO COM UM JULGAMENTO SÓBRIO, DE ACORDO COM A MEDIDA DA FÉ QUE DEUS LHE DEU.' (Romanos 12. 3)

Se a fé não se faz presente na realidade cotidiana dos nossos atos e vivência, também não se faz presente em nossa alma, nem na boa consciência daquele que se diz fiel.

Assim, não passará de ilusão, um conceito abstrato e incapaz de converter e mover o indivíduo rumo ao progresso de sua relação com Deus, no que se responde as questões:

1 – A fé só pode existir partindo da comunhão concreta com os princípios e valores que se constituem na própria fé.

Consiste num consórcio permanente com a verdade na qual se crê.

É a confiança tão segura nessa verdade, a ponto de nos fazer querê-la em nossa realidade viva e concreta.

A verdade que a fé busca é participar do Sumo Bem que só existe no Deus revelado na face do seu Filho, Cristo.

E Deus é bondade porque é amor; e o amor é prático, não teórico:

"SE QUERES ENTRAR NA VIDA ETERNA, GUARDA OS MEUS MANDAMENTOS. (São Mateus 19.17)"

"MEU MANDAMENTO É ESTE: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI. SEREIS MEUS AMIGOS SE FIZERDES O QUE VOS MANDO. O QUE VOS MANDO É QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS. (São João 15. 13, 14 e 17)"

Deste modo, a fé que confessa15 o amor Divino pelos lábios, há também de confessá-lo por ações concretas, senão a fé é fingida e fruto de hipocrisia.

'CADA PALAVRA DE SEUS LÁBIOS É UM PECADO. (Salmo 58, 13)

Deus é amor, e o amor é origem e sustentáculo de tudo, e deixar-se mover por este amor significa caminhar rumo à plenitude da comunhão com Deus:

'ENQUANTO ME BENDIZEM COM OS LÁBIOS, AMALDICOAM-ME NO CORAÇÃO. (Salmos 61, 5)

2 – Se diz do ato, como sendo toda ação humana capaz de transformar uma realidade preexistente em algo novo.

Neste sentido, o reconhecimento da culpa; a submissão à justiça de Deus; o arrependimento; a súplica por misericórdia e a defesa pública de um inocente que morre são atos concretos de contrição porque mudam uma realidade espiritual.

Levantar a voz para defender publicamente um inocente que é castigado injustamente é um ato concreto.

E tais, foram praticados por Dimas, o ladrão, que por causa de sua disposição em receber em si a bondade, logrou receber do Cristo crucificado a promessa de vida eterna.

Em sentido oposto, o outro malfeitor, que se manteve sem remorso e impenitente, para tentar obter a impunidade por seus delitos, tentou usar a fé para manipular Jesus:

'UM DOS MALFEITORES, ALI CRUCIFICADOS, BLASFEMAVA CONTRA ELE: – SE ÉS O CRISTO, SALTE-TE A TI MESMO E A NÓS.

'MAS O OUTRO O REPREENDE:

'NEM SEQUER TEMES A DEUS, TU QUE SOFRES NO MESMO SUPLÍCIO? PARA NÓS ISSO É JUSTO. RECEBEMOS O QUE MERECENOS POR NOSSOS CRIMES. MAS ESTE NÃO FEZ MAL ALGUM. E ACRESCENTOU:

JESUS, LEMBRA-TE DE MIM, QUANDO TIVERDES ENTRADO NO TEU REINO.

'JESUS ENTÃO O RESPONDEU:

'EM VERDADE TE DIGO: HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.

Dois ladrões, duas ações e condutas opostas, e duas consequências distintas.

3 – Dada a corrupção do gênero humano, não apenas a bondade, mas também a própria fé seria para nós uma virtude impossível e impraticável.

Mas nem a fé, nem a bondade, estão no ser humano por mérito ou vontade próprio, senão, apenas por participação na natureza Divina.

Logo, se a fé nos é possível pela graça divina, possível também será a bondade:

'EU SOU A VIDEIRA; E VOCES SÃO OS RAMOS. SE ALGUÉM PERMANECER EM MIM E EU NELE, ESSE DARÁ FRUTO; POIS ,SEM MIM, NÃO PODERÃO FAZER COISA ALGUMA." (São João 15. 5) (Fonte: Igreja Militante)

Queridos irmãos e irmãs, o que havia no tempo dos apóstolos? Pastores, dispersos ou reunidos em concílios, que ensinavam os fiéis, resolviam questões que surgiam, repreendiam os que erravam e separavam os que persistiam no erro. Havia fiéis que eram guiados e ensinados por seus pastores, que neles ouviam Jesus – qui vos auidit, me audit – que...