O significado da batina dos padres
O hábito não faz o monge. No caso dos padres parece que faz sim

A batina (ou soutane) não é apenas um uniforme de trabalho ou uma vestimenta histórica; para a Igreja Católica, ela é um sacramental. Ela simboliza que o sacerdote não pertence mais a si mesmo ou ao mundo, mas a Deus. Ao vestir a batina, o padre "reveste-se de Cristo", tornando-se um sinal visível do sagrado em meio à vida secular.
1. A anatomia da batina e seus simbolismos
Cada detalhe da costura e da estrutura da batina carrega um significado teológico profundo, funcionando como um catecismo visual.
O Número de Botões (33)
A característica mais marcante da batina romana tradicional é a fileira central de botões.
Significado: Tradicionalmente, a batina possui 33 botões, que representam os 33 anos da vida terrena de Jesus Cristo. Cada botão é um lembrete para o padre de que sua vida deve estar configurada à vida de Cristo, do nascimento ao sacrifício na Cruz.
Os Botões das Mangas (5 em cada)
Nas mangas, é comum encontrar um conjunto menor de botões (geralmente cinco em cada punho).
Significado: Eles totalizam 10 botões, simbolizando os Dez Mandamentos. Além disso, o número cinco em cada braço também faz referência às Cinco Chagas de Cristo (mãos, pés e o lado aberto), reforçando que as mãos do sacerdote devem agir conforme a lei de Deus e em união com o sofrimento do Redentor.
O Colarinho Romano (O Quadrado Branco)
Aquele pequeno retângulo branco que aparece na garganta do padre tem um nome técnico: clergyman ou trecho da camisa que sobressai.
Significado: A cor branca simboliza a pureza. O fato de estar localizado no pescoço simboliza a "coleira" de Deus, indicando que o padre é um "servo" ou "escravo" de Cristo por amor. É o símbolo do seu compromisso com a obediência e o celibato.
A Cor Preta
Significado: O preto simboliza a morte para o mundo. Ao usar preto, o padre indica que morreu para as vaidades, modismos e ambições mundanas, vivendo apenas para o Reino de Deus. É também uma cor que remete à humildade e à penitência.
2. Breve resumo histórico
A batina tem suas raízes nas vestes longas usadas na Roma Antiga (a túnica talaris). Enquanto os leigos começaram a encurtar suas vestes para facilitar o trabalho físico e seguir as mudanças da moda bárbara, o clero manteve as vestes longas para se distinguir e manter a sobriedade.
Século VI: O uso de vestes distintas para o clero começou a ser formalizado para evitar que padres seguissem modas extravagantes.
Concílio de Trento (Séc. XVI): Reforçou a necessidade de uma veste clerical distinta para que o povo pudesse identificar prontamente um sacerdote.
Século XIX: A batina romana, como a conhecemos hoje (com os 33 botões), foi padronizada sob o pontificado de Pio IX.
3. Fundamento bíblico: A importância da veste sagrada
A ideia de que aqueles que servem ao altar devem usar vestes específicas não é uma invenção medieval, mas tem raízes profundas no Antigo Testamento, estabelecidas pelo próprio Deus.
No livro do Êxodo, Deus dá instruções detalhadas sobre as vestes de Arão e seus filhos:
"Farás para Arão, teu irmão, vestes sagradas, para glória e ornamento. [...] Estes são os ornamentos que farão: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica tecida, uma mitra e um cinto. Farão, pois, vestes sagradas para Arão, teu irmão, e para seus filhos, a fim de que me exerçam o sacerdócio." (Êxodo 28:2-4)
A expressão "para glória e ornamento" (ou "esplendor e beleza") indica que a veste não serve para exaltar o homem que a usa, mas para honrar a dignidade do ministério que ele exerce. A batina esconde a individualidade do homem para que apenas o "Personagem" (Cristo) apareça.
4. Uso da batina na atualidade
Antes do Concílio Vaticano II, era indiscutível o uso da batina. A imagem do sacerdote era imediatamente ligado à batina. Nem se imaginava um padre sem batina. Mas após o referido Concílio a coisa mudou. Logo com o criação da Missa Nova, em 1969, milhares de sacerdotes simplesmente abandonaram seu ofício e se tornaram leigos, por não suportar as mudanças. Os que ficaram e os novos, já não tinham o mesmo amor pela batina e logo, ver-se padre com roupas de leigos tornou-se normal.
Mais recentemente, durante o pontificado do papa Francisco, entre as muitas anormalidades que houve na Igreja, destaca-se o abandono da batina quase que definitivamente. O pior exemplo veio mesmo do próprio papa que desde o primeiro dia de seu mandato não usava as vestes papais adequadas e sim uma simples túnica branca. Ora, se o papa agia assim, nada se poderia esperar dos padres.
Mesmo com todas estas questões da Igreja, ainda se pode observar entre os padres pelo menos dois tipos característicos. Os que usam batina (poucos) e os que não usam e passam a usar até mesmo roupas pouco apropriadas para um sacerdote. É o caso no Brasil, dos padres cantores, artistas que ficam longe da batina e usam caças jeans. Por outro lado, os que usam batina são também característicos, normalmente conservadores, como os padres da FSSPX, e outras semelhantes e o famoso padre Paulo Ricardo, que é lembrado não só por suas homilias e vídeos como também por sua inseparável batina.
A batina é, portanto, um sermão silencioso. Em um mundo focado no efêmero, ela aponta para o eterno. Portanto, fica tudo muito simples; o que usa batina está ligado à verdadeira fé e tradição católica e o que não usa, está ligado ao mundo e seus prazeres. (Redação: Vida e Fé Católica)






