O que pensar de meninas coroinhas na Igreja?

23/01/2026

Uma Igreja ávida por novidades não se preocupa com a tradição

Em muitas igrejas diocesanas do rito Novus Ordo, nota-se cada vez mais a presença de meninas ajudando o padre no altar, ocupando o lugar que, por séculos, foi reservado exclusivamente aos meninos. Num cenário eclesial onde proliferam padres cantores, danças, aplausos e discursos políticos, a presença de meninas no presbitério pode parecer apenas "mais uma" mudança. Entretanto, para o fiel que guarda a Tradição, essa inovação não é um detalhe menor, mas uma ruptura profunda com o simbolismo litúrgico e a disciplina secular da Igreja.

(Por Vida e Fé Católica)

O Contraste com a Missa de Sempre

Na Missa Tradicional (Tridentina), o "serviço do altar" nunca incluiu mulheres. A Igreja, em sua sabedoria, sempre entendeu que o coroinha não é meramente um "ajudante de palco", mas alguém que supre a ausência dos ministros menores (como o acólito e o leitor). Historicamente, essas funções eram degraus para o sacerdócio.

A Igreja modernista, ávida por novidades, parece esquecer que se a presença feminina no altar fosse necessária ou desejável, ninguém teria sido mais capacitada que Nossa Senhora. Nem Ela, nem as santas mulheres que acompanharam Cristo no Calvário, receberam a função de servir ao altar ou exercer o ministério público na liturgia.

Fundamentos Bíblicos e a Proibição Apostólica

A resistência tradicional à presença feminina no presbitério não nasce de um preconceito social, mas de uma ordem divina e apostólica. São Paulo é claro ao estabelecer a ordem nas assembleias litúrgicas:

"As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas, como também ordena a lei." (I Coríntios 14, 34)
"Não permito que a mulher ensine, nem que use de autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio." (I Timóteo 2, 12)

Essas passagens, frequentemente ignoradas ou "contextualizadas" ao extremo pelos modernistas, fundamentam o fato de que o espaço do presbitério — o Santo dos Santos da Nova Aliança — é um espaço de representação do próprio Cristo, o Esposo, através de ministros do sexo masculino.

O Coroinha como Viveiro de Vocações Sacerdotais

Um dos argumentos mais fortes da Tradição é o caráter vocacional do coroinha. O serviço do altar é o "berçário" do sacerdócio. Ao colocar meninos para servir, a Igreja planta neles a semente do chamado ministerial.

Ao transformar o serviço do altar em uma atividade mista e puramente funcional, perde-se esse simbolismo. Estudos e observações pastorais indicam que, quando o serviço de coroinha se torna majoritariamente feminino, os meninos tendem a se afastar, sentindo que aquele não é mais um espaço de formação para a virilidade sacerdotal.

1. O Papa São Gelásio I (494 d.C.)

Este é um dos registros mais antigos e contundentes. Na sua Carta 9 aos Bispos de Lucânia, o Papa Gelásio I condenou veementemente a prática que começava a surgir em algumas regiões:

"Soubemos com impaciência que as coisas sagradas caíram em tal desprezo que as mulheres são encorajadas a servir nos altares sagrados, e que todas as tarefas reservadas ao sexo masculino são executadas por quem não tem direito a elas."

Para este Papa, a presença feminina no altar era um sinal de "desprezo pelas coisas sagradas".

2. O Concílio de Laodicéia (Século IV)

Embora tenha sido um concílio regional, seus cânones foram amplamente aceitos pela Igreja Universal. O Cânon 44 estabelece explicitamente:

"A mulher não deve entrar no santuário [presbitério]."

A lógica era que o presbitério é o local do Sacrifício, e o acesso a ele era restrito àqueles que possuíam ordens sacras ou que estavam em treinamento para recebê-las (os clérigos e acólitos).

3. O Papa Bento XIV e a Encíclica Allatae Sunt (1755)

Mesmo séculos depois, a Igreja manteve-se firme. Na encíclica Allatae Sunt, o Papa Bento XIV tratou da disciplina litúrgica e reafirmou a proibição, citando a autoridade de seus antecessores:

"O Papa Gelásio em sua nona carta aos bispos da Lucânia condenou a prática maligna que havia sido introduzida de mulheres servindo ao sacerdote na celebração da Missa. Visto que este abuso se espalhou entre os gregos, Inocêncio IV proibiu-o estritamente em sua carta aos bispos de Tusculum... Nós também proibimos essa prática nas mesmas palavras."

4. O Código de Direito Canônico de 1917

O código que regeu a Igreja antes das reformas pós-Vaticano II era cristalino em sua determinação. O Cânon 813, §2 afirmava:

"O ministro que serve a Missa não deve ser uma mulher, a menos que, na ausência de um homem e por justa causa, ela o faça; nesse caso, ela deve responder as orações de longe e de modo algum aproximar-se do altar."

Isso significa que, mesmo em um caso extremo de necessidade (como uma freira em um convento isolado), a mulher não se tornava uma "coroinha", mas apenas respondia às orações de fora do presbitério, mantendo intacta a sacralidade do altar como espaço masculino.

A Lógica Teológica da Proibição

Do ponto de vista tradicional, esses decretos não visavam "excluir" a mulher por falta de dignidade, mas por fidelidade simbólica:

  1. O Altar como Calvário: No Calvário, Cristo é o Sacerdote e a Vítima. Os ministros do altar (incluindo coroinhas) representam visualmente essa realidade masculina.

  2. A Identidade Vocacional: As ordens menores (Acolitato e Leitorato) eram degraus para o Sacerdócio. Permitir que mulheres exercessem essas funções criaria, na visão tradicional, uma confusão teológica sobre a natureza do próprio sacerdócio, que é exclusivamente reservado aos homens por instituição divina.

Para o catolicismo tradicional, a introdução de meninas coroinhas é vista como uma concessão ao espírito do mundo e ao feminismo secular, que busca igualar funções que são, por natureza e simbolismo, distintas. A beleza da Igreja reside na harmonia entre os sexos e não na sua indistinção. Preservar o altar como um espaço masculino para o serviço litúrgico é, acima de tudo, um ato de fidelidade ao exemplo de Cristo e à Tradição que recebemos intacta através dos séculos. (Redação: Vida e Fé Católica