O que dizem as "Sagradas Escrituras" e os Pais da Igreja sobre o Purgatório?
Fieis de inclinação progressista esquecem do purgatório, mas é uma realidade

Pouco mencionado pelos púlpitos modernos e quase esquecido por muitos fiéis de inclinação progressista, o Purgatório permanece como um ponto chave e inegociável para os católicos tradicionalistas. Aqueles que guardam a Tradição, seguindo o magistério dos Papas e a sabedoria dos Santos de antes do Concílio Vaticano II, sabem que negligenciar essa realidade não é apenas um erro pastoral, mas um perigo para as almas.
(Por Vida e Fé Católica)
Do ponto de vista da lógica teológica, o Purgatório é inevitável. Considere o seguinte: como poderia alguém ser lançado ao Inferno tendo confessado seus pecados mortais, mas ainda possuindo penas temporais ou pecados veniais? Ao mesmo tempo, como poderia essa mesma alma, ainda maculada por imperfeições, estar diante da face de Deus, que é a Pureza Infinita? O Purgatório é, portanto, o triunfo da Misericórdia Divina sobre a justiça estrita, permitindo que a alma se revista da "núpcia branca" antes do Banquete Eterno.
O Purgatório nas Sagradas Escrituras
Embora a palavra "Purgatório" não apareça grafada textualmente, a doutrina está latente e viva em diversas passagens que servem de alicerce para a nossa fé:
2 Macabeus 12:46: "Santo e piedoso pensamento é este de orar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados." Este é o fundamento bíblico mais explícito: se não houvesse um estado de purificação após a morte, a oração pelos falecidos seria inútil.
Mateus 5:48: "Portanto, sejam perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito." Nosso Senhor exige uma perfeição que raramente alcançamos plenamente nesta vida. O Purgatório é onde essa perfeição é completada pela graça.
1 Coríntios 3:15: "Se a obra de alguém for consumida pelo fogo, sofrerá perda; contudo, ele mesmo será salvo, mas como que pelo fogo." São Paulo descreve aqui um processo de salvação que envolve uma prova dolorosa e purificadora.
Apocalipse 21:27: "E não entrará nela coisa alguma impura..." Se morrermos com a menor das manchas (um pecado venial ou uma inclinação desordenada), essa passagem nos garante que precisamos ser limpos antes de cruzar as portas da Jerusalém Celeste.
O Testemunho dos Pais da Igreja
Os primeiros séculos do cristianismo já respiravam a crença na purificação pós-morte. Os Pais da Igreja, pilares da nossa Tradição, confirmam essa prática:
Clemente de Roma (século I): Em sua Carta aos Coríntios, já mencionava a intercessão pelos mortos, entendendo que o estado dos justos poderia ser aperfeiçoado.
Orígenes (século III): Foi enfático ao dizer que "é necessário que os justos sejam purificados pelo fogo, para que possam entrar no céu" (Homilias sobre o Evangelho de Lucas).
Tertuliano (século III): Defendeu o costume de oferecer sacrifícios e orações pelos mortos no aniversário de sua morte, afirmando: "A oração pelos mortos é útil, pois pode ajudar a purificar os pecados e a alcançar a salvação" (De Monogamia).
Cipriano de Cartago (século III): Diferenciou a punição do inferno da purificação que prepara a alma para a glória.
Santo Agostinho (século IV-V): O grande Doutor da Graça ensinou claramente: "Os justos podem ser purificados após a morte, para que possam entrar no céu" (Enchiridion), reforçando que o fogo purificador é real e necessário para os que não morreram em plena perfeição.
Conclusão: Uma Realidade Esquecida, mas Urgente
É um fato lamentável que muitas autoridades da Igreja moderna e fiéis contemporâneos fujam do tema do Purgatório, preferindo um discurso de "salvação automática" que beira o presuncionismo. Ao silenciar sobre o Purgatório, retira-se dos fiéis a oportunidade de praticar a caridade espiritual mais nobre: as sufrágios pelas almas benditas.
Para o católico tradicional, o Purgatório não é um motivo de pavor, mas de esperança e seriedade. É o lembrete de que a vida cristã exige uma luta constante pela santidade. Ignorar essa realidade não a faz desaparecer; apenas nos torna menos preparados para o encontro final com o Criador. Que possamos retomar a pia prática de rezar pelos nossos mortos, reconhecendo que a Igreja Militante (nós), a Igreja Padecente (Purgatório) e a Igreja Triunfante (Céu) formam um só corpo místico em Cristo. (Redação: Vida e Fé Católica)





