O «catolicismo bege» e a fuga de homens jovens na Igreja

16/01/2026

O autor sustenta que uma parte do catolicismo "mainstream" (tendência dominante) se tornou irreconhecível para quem busca uma fé sólida 

Há um dado que se repete em não poucas paróquias do Ocidente: bancos cheios de mulheres e crianças, e uma ausência notável de homens jovens. Para alguns, é um fenômeno sociológico inevitável. Para outros, uma simples questão geracional. A abordagem que propõe The Remnant é mais direta e, ao mesmo tempo, mais incômoda: muitos varões não fogem da Igreja por excesso de exigência, mas por falta dela; não pela sua dureza, mas pela sua blandura.

(Por INFOVATICANA)

O autor sustenta que uma parte do catolicismo "mainstream" (tendência dominante) se tornou irreconhecível para quem busca uma fé sólida, uma ordem moral clara e uma vida espiritual que não dependa de modas. E quando a Igreja se apresenta como um catálogo de "boas ideias" negociáveis, o resultado —diz ele— é previsível: os homens vão embora, e os que ficam tendem a reforçar dinâmicas cada vez mais fracas, criando um círculo vicioso.

A rejeição a um catolicismo "bege"

O texto parte de uma intuição compartilhada por muitos jovens: se um homem da Geração Z rejeita de verdade o mundo —seu hedonismo, seu relativismo, sua ideologia— também rejeitará o "catolicismo diluído" que lhe é oferecido como alternativa. Ele não busca um cristianismo que copie a linguagem da época, mas um que a contradiga.

A etiqueta que o autor usa para essa versão domesticada é reveladora: "beige Catholicism". Um catolicismo sem arestas, sem clareza doutrinal, sem disciplina, sem sentido de combate espiritual. Um catolicismo que promete pertencimento e bem-estar emocional, mas que raramente exige conversão, sacrifício ou obediência à verdade.

Primeira causa: a erosão da verdade imutável

A primeira grande razão da rejeição, segundo o artigo, é o enfraquecimento da convicção católica. A Igreja —lembra— foi construída sobre mártires, não sobre negociadores. O autor recorre a figuras históricas que preferiram morrer a ceder na fé, precisamente para sublinhar o contraste com um clima eclesial onde a verdade parece "elástica".

Quando o doutrinal se apresenta como revisável, e a moral se torna um conjunto de "processos" ou "acompanhamentos" sem meta clara, a mensagem que um homem recebe é devastadora: aqui não há um tesouro a custodiar, mas um discurso que se adapta. E um homem sério não arrisca sua vida —nem sua reputação, nem sua família— por algo que amanhã poderia ser redefinido em uma nova "sessão de escuta".

O autor atribui esse fenômeno a uma mistura de liberalismo doutrinal, modernismo e ecumenismo mal entendido: uma dinâmica onde a clareza é considerada "rigidez" e a firmeza é rotulada como falta de caridade. Nesse ambiente, o homem que busca certeza, hierarquia moral e transcendência conclui que lhe é oferecido um produto sem substância.

Segunda causa: a promoção do vício e a tolerância do pecado

A segunda causa: a normalização do vício dentro da vida eclesial. O artigo sustenta que a corrupção moral —especialmente no clero— tem sido uma das armas mais destrutivas contra a fé e contra a masculinidade cristã.

Quando um jovem vê escândalos, confusão sexual, banalização da liturgia e pastores incapazes de chamar o pecado pelo nome, entende que lhe é pedida adesão a uma instituição que não se leva a sério sua própria doutrina. E se a Igreja renuncia a formar consciências fortes, acaba fabricando homens fracos: incapazes de resistir ao mundo e, portanto, incapazes de liderar na família e na sociedade.

O argumento não é sentimental. É moral e espiritual: se a Igreja deixa de combater o vício, perde autoridade para pedir virtude. E sem virtude, não há homens.

Liturgia, reverência e vocações: o sinal que o "mainstream" não quer ver

O autor propõe um contraste que, no fundo, muitos preferem ignorar: ali onde se preserva uma fé mais íntegra, uma liturgia mais reverente e uma disciplina moral mais clara, surgem frutos visíveis. Não só famílias mais sólidas, mas comunidades com sentido de pertencimento e, com frequência, vocações.

Não é uma idealização ingênua. É uma observação prática: o homem se sente atraído por aquilo que lhe pede altura. A tradição —em sua forma litúrgica e doutrinal— não promete conforto; promete santidade. E a santidade implica combate, sacrifício e ordem. Precisamente o que o mundo não dá e o que a Igreja, segundo o autor, deixou de exigir em muitos lugares.

Sacerdotes "heróis" para formar "heróis"

O texto conclui com um apelo frontal ao clero: não se pode ser sacerdote "a meio". O homem não segue um funcionário espiritual nem um animador; segue um pastor disposto a entregar a vida. Se o sacerdócio se apresenta como uma carreira, uma administração ou uma terapia, não convoca varões. Se se apresenta como uma paternidade exigente e sobrenatural, então sim.

Por isso o artigo insiste em que a recuperação não será estética nem tática. Será doutrinal e moral. Será voltar a pregar a fé completa, com seu rigor e sua beleza, com sua clareza e sua autoridade. Será voltar a chamar à conversão, à penitência, à pureza, à adoração reverente. Em uma palavra: à vida cristã real.

A saída não é diluir a fé, mas voltar a oferecê-la inteira

A tese final é simples: não se atrai homens escondendo a verdade, suavizando o Evangelho ou acomodando a moral para não incomodar. Isso pode encher um salão, mas não forja varões. E sem varões virtuosos —pais, esposos, sacerdotes— uma sociedade desmorona.

Se muitos homens jovens se afastam do catolicismo "mainstream", conclui a abordagem do autor, talvez não seja porque a Igreja seja demasiado exigente. Talvez seja porque, em muitos lugares, já não o é. E onde a fé católica se vive sem adulterações —com doutrina clara, liturgia digna e uma moral sem ambiguidades— não falta o que hoje escasseia: homens dispostos a construir, a se sacrificarem e a servir a Deus acima do mundo. (Fonte: INFOVATICANA)