Homilias insípidas: acrescentar e continuar todos os domingos

02/01/2026

Os fiéis mais bem formados que assistem à Santa Missa dominical expressam, com todo o respeito e ao mesmo tempo com toda a sinceridade, o quanto são vazias de conteúdo a grande maioria das homilias 

proferidas pelos padres, sobretudo porque se tornou forte a nova teologia conciliar em nossa Igreja.

Por Padre Ildefonso de Assis 

Essa é uma afirmação exagerada?; Não creio e nós sacerdotes que tentamos exortar os fiéis podemos endossá-la e às vezes alguns deles nos parabenizam pelos "surpresa" que para eles significa ouvir pela primeira vez uma verdade doutrinária que deveria ser assumida pela comunidade. Alguns leitores pensarão que sou um pecador (sou um padre e prego) e se acreditam assim, devem orar por este padre, mas para dar um exemplo compartilho um par de anedotas da vida real:

Certa vez, um leigo me pediu para atendê-lo em confissão porque alguém havia lhe dito que eu era um padre que prega sobre o pecado...

Novamente, um leigo (já maior de idade) me disse que em toda a sua vida nunca ouviu em um sermão que a presença real de Cristo está na Eucaristia e não nas imagens...

Listemos claramente os defeitos usuais que, por ação ou omissão, ocorrem nas homilias desde o pós-conselho até hoje:

1: Sem definição clara. Ambiguidade absoluta ao tocar, se tocado, temas como pecado ou vida eterna (inferno, juízo, glória)

2: Mera dissertação comentada do evangelho mas sem a menor referência exortativa à conversão moral pessoal (a palavra "conversão" sequer existe)

3: Abundância de verbalismo que se torna cansativo e pesado. Termina a homilia e alguns (os que não adormeceram) vão se perguntar o que o padre disse, ou o que ele quis dizer

4: Falta de proximidade pessoal em falar em público. Se o pregador é progressista (ou modernista) costuma apresentar-se como um grande intelectual de ridícula pose afetada, e se é conservador (ou mesmo tradicional) não raramente é hierático e sem usar a primeira pessoa do plural (usa apenas a segunda)

5: Às vezes são usados recursos poéticos e barrocos cujo único propósito é a vanglória do pregador que é mostrado com disfarce místico mas de absoluta falta de mensagem e ao mesmo tempo vergonhosa submissão ao mundo

6: O tédio despertado quando o sermão é lido e, portanto, sem dar opção ao improviso que o Espírito Santo muitas vezes provoca (é a chamada homilia "pré  cozinhada")

Na opinião deste autor, e de muitos outros sacerdotes, a homilia deve ter as seguintes características para cumprir o objetivo do sermão, que é tocar a consciência dos fiéis e estimulá-los à conversão.

  • Mensagem clara e contundente. Não se trata de deixar de ser prudente mas de servir à verdade. Temas como pecado e/ou os mais novos devem ser expressos a você são todos firmeza para o bem das almas (inclusive a do próprio sacerdote)
  • Exortação moral que deve ser discernida da leitura meditada da Palavra e do nível cultural-formativo do público
  • Concreção verbal a fim de buscar a otimização verbal (dizer muito em poucas palavras)
  • Descida a uma mensagem próxima e não afetada de "intelectualidade". Nosso modelo de pregador, Jesus Cristo e Ele, ensinado com parábolas (histórias) e linguagem simples, breve
  • Coragem diante do chamado "consensus social". Como São Paulo disse "Eu não prego para agradar o mundo e sim a Deus!" (Confr: Gálatas 1, 10)
  • Homilia preparada sim, e meditada na presença de Deus, claro. Mas aberto à espontaneidade despertada pelo Espírito e por isso, na medida do possível, não previamente escrita

A pregação da Palavra de Deus é uma das missões fundamentais dos sacerdotes (juntamente com a celebração sacramental e o exercício da caridade); rezemos para que os sacerdotes saibam ser fiéis e eficazes nesta tarefa que é (deve ser) a ponta de lança na conversão das almas. (Fonte: Adelante La Fe) Tradução: Vida e Fé Católica

Aparentemente, tanto Roma quanto a FSSPX percebem que a nova Missa representa uma nova religião (como deu a entender recentemente cardeal Roche).