Controle, Posse e Exorcismo

13/11/2023

Que forma concreta pode assumir a ação dos demônios sobre o homem? Existem muitas formas e graus diferentes de ação demoníaca. Aqui estão algumas explicações.

Padre Jean-Baptiste Édart

Nossa sociedade gosta do sobrenatural. A possessão demoníaca é uma daquelas manifestações que atraem a curiosidade. O sucesso de O Exorcista do Papa, filme sobre o padre Gabriel Amorth, atesta esse interesse duradouro. Mas a possessão é a forma paroxística de uma ação que costuma ser muito mais discreta. Entender a natureza da ação demoníaca e suas diferentes formas é uma saída para o medo, uma emoção cultivada pelo inimigo. Não estamos falando aqui da ação ordinária do diabo, da tentação, mas da chamada ação extraordinária, isto é, fora da ordem usual de sua atividade, que é a da tentação.

A Natureza do Controle Demoníaco

A característica do impeachment demoníaco é atacar a liberdade da pessoa para fazê-la sofrer e se desesperar. O diabo procura obter a condenação do homem. A maneira usual de fazer isso é tentar a nós mesmos pecar mortalmente. Em certos casos, Deus misteriosamente permite que ele faça o homem sofrer, exercendo seu poder de diferentes maneiras.

Essa ação do diabo é consequência de sua capacidade de agir sobre a matéria. São Tomás de Aquino conclui que a criatura espiritual, anjo ou demônio, só pode agir sobre a matéria deslocando-a, não transformando-a ou multiplicando-a diretamente. Esse deslocamento ocorre visivelmente, por exemplo, quando uma faísca é transportada da lareira mal extinta para a palha do leito do Cura d'Ars, mas também no nível microscópico. O diabo pode agir sobre moléculas, neurotransmissores, etc., ou seja, sobre todos os componentes materiais que compõem o nosso cérebro. Assim, atua em nossa memória, nossas emoções e, portanto, influencia nossa cognição. Em última análise, pode até assumir o controle do nosso corpo e da nossa voz, como na posse. Na tentação, despertará em nós movimentos emocionais que, com a graça de Deus, seremos capazes de resistir. No controle, esses movimentos serão tais que será impossível combatê-los. É importante notar que, uma vez que o exercício de nossa liberdade é então impedido, atos malignos cometidos sob controle demoníaco não são imputáveis como pecados, a menos que esse controle seja fruto de nossa vontade.

Formas de controle

A Igreja não estabeleceu uma nomenclatura precisa para esta ação extraordinária. Também não fala de posse, um termo teologicamente errôneo porque o diabo não possui a pessoa. Nós pertencemos somente a Deus. O termo usado nos textos litúrgicos é obsessão, que vem do latim obsidere que significa "sitiar". O diabo sitia a psicologia de uma pessoa, privando-a de sua liberdade.

Os exorcistas costumam usar uma classificação proposta pela Associação Internacional de Exorcistas e que usamos aqui. O primeiro caminho é a infestação. Nele, o demônio exerce seu poder sobre um lugar, um objeto, um animal ou uma planta. O objetivo dessa ação é prejudicar o homem, agindo sobre seu ambiente. Geralmente é o resultado de práticas gravemente contrárias à lei divina em um lugar (assassinato, suicídio, bruxaria, etc.) ou a consequência de feitiços (em animais, objetos ou plantas).

A segunda forma é a humilhação. É uma ação que se exerce do lado de fora da pessoa, do corpo. Podem ser cortes, queimaduras, arranhões, picadas, mordidas, golpes com pau, golpes que deixam hematomas, feridas sangrando, fraturas, dermografismo, percepção de maus odores, pedras ou excrementos jogados do nada, sendo jogados para fora da cama, jogados no ar ou no chão, sendo transportados a longa distância.

A terceira via é a obsessão. É uma ação que aborda mais diretamente a psicologia da pessoa. A pessoa é afetada por pensamentos racionalmente absurdos, mas cuja intensidade torna impossível afastá-los. Podem ser ideias ou fantasias irritantes, constantes, intrusivas, ou a percepção de uma voz incessante durante a oração repetindo o que está sendo dito ou sendo dito em outras frases. Pode ser angústia ou desespero sem relação com o contexto, palavrões, pensamentos obscenos ou imagens que se intensificam durante a oração ou a missa. Discernir uma obsessão pode ser difícil, pois há muitas semelhanças com a doença mental.

A quarta e última é a posse de bola. Nesse caso, a pessoa fica totalmente privada de sua liberdade em momentos de crise. Outra personalidade pode se manifestar por meio da fala e dos movimentos corporais. Uma pessoa que sofre dessa forma nem sempre terá consciência de sua condição. Você vai perceber que está sofrendo, que algo está errado, mas muitas vezes sem entender o que está acontecendo. As pessoas ao seu redor podem perceber violência ou malícia que não é típica da pessoa, mas muitas vezes sem entender o que é. Somente quando confrontado com a ação de Deus, muitas vezes em oração, o diabo mostrará seu domínio sobre a pessoa. Falamos de posse parcial ou total, dependendo do grau dessa posse. Uma pessoa consagrada a Satanás experimentará sujeição, mas nesse estado nenhuma manifestação ocorrerá enquanto permanecer submissa a seu mestre. Se surgisse o desejo de acabar com esse vínculo, então eu experimentaria intenso sofrimento e posse total e grave.

Impugnação no Plano Divino

Por que Deus permite essa ação do diabo, que é a causa de intenso sofrimento? Do ponto de vista do diabo, o propósito desse sofrimento é levar o homem ao desespero. Do ponto de vista de Deus, esse sofrimento é permitido para santificar uma pessoa. Deus pode permitir que uma pessoa experimente o impeachment demoníaco, seja em virtude de Sua justiça – o impeachment é então uma forma de penitência para trazer o pecador de volta a Deus – ou para envolver a pessoa oprimida a participar da Redenção oferecendo Seu amor neste sofrimento particular, ou como um meio de purificar a pessoa. A Bem-aventurada Maria Eugênia del Jesús menciona essa possibilidade para certas almas que estão muito avançadas na vida mística; pense em St. Mariam Baouardy, que experimentou a possessão quatro vezes em sua vida. Pensar que essa ação espiritual está mesmo parcialmente fora da vontade divina, como uma vontade de permissão, implicaria que o diabo poderia ter um poder superior ao de Deus, que a criatura escapa ao Criador, o que é impossível. Tudo na ação demoníaca está inteiramente sujeito à vontade divina. Só seremos capazes de compreendê-la plenamente em glória, quando descobrirmos como essa ação foi posta a serviço do plano divino, sem o conhecimento de seu autor maligno, é claro.

Exorcismo e libertação

Seguindo os passos de Cristo, a Igreja tem o poder de pôr fim a esta ação através da oração do exorcismo. O CIC (1673) afirma: "Quando a Igreja pede pública e autoritariamente, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra as ciladas do Maligno e removido de seu domínio, falamos de exorcismo. Jesus praticou-a (Mc 1, 25-26; etc.), d'Ele a Igreja tem o poder e o ofício de exorcizar (Mc 3, 15; 6, 7, 13; 16, 17)".

Esta oração assume várias formas. Pode ser rezada em nome da Igreja. Em seguida, falaremos sobre exorcismo público. É feito no batismo, não para expulsar o diabo, que não possui os não batizados, mas para preparar o coração do futuro batizado para receber a graça divina. Esta é também a forma do exorcismo solene ou maior, comumente chamado de grande exorcismo. Este último só pode ser celebrado por um sacerdote delegado pelo bispo e após uma investigação minuciosa e cautelosa para discernir a realidade de obsessão ou possessão grave, de modo a não confundi-la com uma patologia mental.

Também pode ser feito de forma privada, isto é, não sob a autoridade da Igreja, mas em virtude do nosso batismo ou sacerdócio ministerial no caso dos sacerdotes. Esses exorcismos menores ou privados (ou pequenos exorcismos), também chamados de orações de libertação, podem nos libertar de formas menores de contestação demoníaca: obsessões mesquinhas ou vexames. Eles podem ser recitados durante a confissão, após a absolvição ou no contexto de um processo específico. A Conferência Episcopal Francesa publicou uma coletânea de orações nesse sentido intitulada Proteção, Délivrance, Guérison (Proteção, Libertação, Cura). (Fonte: InfoVaticana)

Queridos irmãos e irmãs, o que havia no tempo dos apóstolos? Pastores, dispersos ou reunidos em concílios, que ensinavam os fiéis, resolviam questões que surgiam, repreendiam os que erravam e separavam os que persistiam no erro. Havia fiéis que eram guiados e ensinados por seus pastores, que neles ouviam Jesus – qui vos auidit, me audit – que...