Consistório: consolidação de uma agenda ou fidelidade ao Depósito da Fé?
Consistório: pouca esperança para tradicionalistas

Nos dias 7 e 8 de janeiro, os olhos do mundo católico voltaram-se para o Vaticano. Para o observador o Consistório, uma reunião do papa com cardeais vindos de vários países do mundo para em certo sentido, aconselhar o papa sobre os temas de antemão escolhidos. Pelo menos esse sempre foi o sentido do Consistório em séculos anteriores.
(Por Vida e Fé Católica)
O que ocorria no passado, era que homens santos e defensores da verdadeira doutrina católica tinham toda a capacidade de aconselhamento. Mesmo assim, os papas não tinham nenhuma obrigação de seguir os conselhos recebidos.
Na atualidade, embora a ideia seja boa, o que acontece é que os cardeais mudaram, e muito. Há anos escolhidos por papas progressistas, estes mesmos cardeais, com raríssimas exceções, são progressistas, portanto, não se importam tanto com a tradição, mas são ávidos por mudanças e pelo modernismo. Neste sentido, o consistório pode servir de uma desculpa para que o papa dê continuação à linha progressista de papas anteriores recentes.
Sob a ótica do catolicismo tradicional, analisamos os pontos mais críticos deste encontro.
1. A perfil dos novos "príncipes": periferia geográfica ou teológica?
A tradição da Igreja sempre viu o Colégio Cardinalício como o "Senado do Papa", composto por homens de provada ortodoxia e profundo saber teológico. O que se viu neste último Consistório, contudo, foi a continuação de uma tendência iniciada há anos: a escolha de nomes baseada em critérios puramente sociológicos e geográficos, em detrimento da solidez doutrinária.
Ao priorizar "vozes das periferias" que, em muitos casos, alinham-se mais com agendas ambientais e políticas globais do que com a defesa do Depositum Fidei, o consistório parece ter focado em uma "Igreja em saída" que acaba saindo de si mesma e de sua missão salvífica original.
2. A agenda da sinodalidade como "revolução permanente"
Durante as reuniões dos dias 7 e 8, o tema da "Sinodalidade" foi, mais uma vez, o eixo central. Para o católico tradicionalista, o receio é claro: o uso de um termo vago para democratizar a estrutura da Igreja e, por consequência, relativizar verdades imutáveis.
Historicamente, o Colégio de Cardeais existia para aconselhar o Papa na guarda da Tradição. O que se vê agora é um corpo consultivo que parece mais interessado em "escutar o mundo" do que em proclamar a Verdade de Cristo às nações. A sinodalidade, como apresentada neste consistório, corre o risco de se tornar uma "revolução permanente", onde o dogma é substituído pelo diálogo interminável.
3. O silêncio sobre a Liturgia e a Tradição
Enquanto se discutia a reforma das estruturas e a inclusão, o silêncio sobre a perseguição à Missa Tradicional (Tridentina) foi claro. Para o fiel que busca a santidade através da liturgia de sempre, é doloroso ver um consistório gastar horas com logística burocrática e agendas seculares, enquanto ignora o clamor de milhares de jovens e famílias que pedem apenas o direito de rezar como seus antepassados.
Um consistório que não discute como restaurar o sagrado e como atrair almas para o confessionário é um consistório que falha em sua essência pastoral.
4. A sucessão e o futuro da Igreja
Ao moldar o Colégio Cardinalício com uma maioria de pensadores alinhados à "teologia da ruptura", tenta-se garantir que as reformas do pós-Concílio Vaticano II tornem-se irreversíveis.
Entretanto, o católico tradicional recorda-se das palavras de Nosso Senhor: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18). A Igreja já atravessou crises de arrianismo, o Grande Cisma do Ocidente e períodos de profunda decadência moral na hierarquia. Em todos eles, a Tradição foi a bússola que guiou a barca de Pedro de volta ao porto seguro.
Conclusão: esperança na providência, não na política eclesial
O Consistório de 7 e 8 de janeiro pode ter consolidado uma visão de Igreja mais horizontal e secularizada, mas para o fiel tradicionalista, a esperança não repousa em cálculos humanos ou em maiorias cardinalícias. Nossa fé está ancorada em Cristo, o Sumo Pontífice.
O dever dos fiéis agora, mais do que nunca, é a oração pelos novos cardeais, para que o Espírito Santo lhes conceda o dom da Fortaleça para defender a fé até o derramamento do sangue (o significado do vermelho cardinalício) e o dom do Entendimento para discernir entre a moda passageira do mundo e a Verdade eterna da Santa Igreja. (Redação: Vida e Fé Católica)






