Cardeal Roche anuncia: Leão XIV não deverá restaurar a Missa Tridentina
Ninguém espere que Leão XIV faça algo a favor da tradição

Em entrevista publicada em 13 de outubro, o cardeal Arthur Roche defendeu a manutenção das restrições à Missa Tradicional e afirmou que os católicos que resistem à orientação pós-conciliar se afastam do centro do catolicismo.
Por Vida e Fé Católica
O cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino, voltou a manifestar sua posição contrária à ampliação da Missa Tradicional. Em entrevista à AdVaticanum, ele afirmou que o papa Leão XIV não deverá revogar o Traditionis Custodes, documento promulgado por Francisco em 2021 que restringiu a celebração da Missa Tridentina.
Questionado sobre a possibilidade de um retorno ao Summorum Pontificum, de Bento XVI, Roche foi categórico: "Ele não retornará ao Summorum Pontificum."
A declaração representa um sinal preocupante para os católicos que desejam conservar a liturgia tradicional romana, celebrada durante séculos e ainda hoje procurada por numerosos sacerdotes e fiéis.
A Missa Tradicional sob restrições
Com o Summorum Pontificum, publicado em 2007, Bento XVI procurou favorecer a reconciliação dentro da Igreja e facilitar o acesso à liturgia romana tradicional. O pontífice recordou que aquilo que foi sagrado para as gerações anteriores continua sendo sagrado para nós.
Em 2021, porém, Francisco promulgou o Traditionis Custodes, estabelecendo novas restrições à celebração segundo o Missal Romano de 1962.
Agora, Roche afirma que essa orientação não deverá mudar durante o pontificado de Leão XIV. Para o cardeal, os católicos ligados à Missa Tradicional precisam aceitar a orientação litúrgica estabelecida após o Concílio Vaticano II.
Mais grave ainda é sua afirmação de que aqueles que resistem a essa orientação se afastam do centro do catolicismo.
Essa declaração levanta uma questão fundamental: pode o apego a uma liturgia venerável, que alimentou espiritualmente gerações de santos e fiéis, ser tratado como um obstáculo à comunhão com a Igreja?
A tradição católica não é um capricho
Os fiéis ligados à Missa Tridentina não defendem simplesmente uma preferência estética ou uma nostalgia do passado. Para muitos, essa liturgia expressa de maneira especialmente profunda a sacralidade do Santo Sacrifício, a reverência diante da Eucaristia e a continuidade da fé católica.
A unidade da Igreja, por sua vez, não deve ser confundida com a uniformidade absoluta das formas litúrgicas. A própria história da Igreja testemunha a existência de diferentes tradições de culto, preservadas dentro da comunhão católica.
Bento XVI procurou justamente evitar que a liturgia tradicional fosse considerada algo prejudicial ou proibido. As restrições posteriores, entretanto, criaram dificuldades para comunidades que desejam continuar vivendo sua fé por meio desse patrimônio espiritual.
O que esperar de Leão XIV?
Segundo as declarações de Roche, não há perspectiva de retorno às disposições do Summorum Pontificum. Isso significa que os católicos tradicionais precisarão continuar defendendo a preservação da Missa Tridentina e transmitindo sua riqueza espiritual às novas gerações.
É particularmente significativo que tantos jovens descubram nessa liturgia uma forma de viver a fé com recolhimento, reverência e senso do sagrado. Em vez de tratar esse interesse como um problema a ser contido, seria mais proveitoso compreender suas razões e reconhecer os frutos espirituais que pode produzir.
A tradição católica não é uma simples preferência pessoal, nem um obstáculo que deva desaparecer em nome de uma uniformidade imposta. É um patrimônio recebido das gerações anteriores, que merece ser conhecido, amado e transmitido com fidelidade.
A Missa Tradicional não pertence a uma geração nem a um grupo particular. Ela faz parte da história litúrgica da Igreja e permanece profundamente ligada à vida espiritual de inúmeros católicos. Preservá-la é defender um patrimônio que não deve ser esquecido. (Redação: Vida e Fé Católica) (Com IA)
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