Acordo Vaticano-China em xeque

24/02/2026

O comunismo chinês não mudou sua política em relação à Religião Católica 

Um tribunal de Hong Kong (controlado por Pequim) condenou, em 9 de fevereiro p.p., o herói católico Jimmy Lai [foto] a 20 anos de prisão. "Aos 78 anos de idade, essa sentença soa como pena de morte e intimidação para os católicos que se opõem ao regime comunista da China."

Por Marcos Antonio Machado Costa

A sentença de Jimmy Lai "significa que é hora de acabar com o acordo Vaticano-China", comenta com acerto o site Life Site News.

Xi Jinping segue a tática de Mao. O comunismo chinês não mudou sua política em relação à Religião Católica. Veremos nesse artigo alguns exemplos chocantes.

Mas, a condenação tem essa mensagem clara para todos nós, para você para mim: "Pequim quer nos intimidar para que nos calemos e fiquemos inertes."

Ela soa como uma convocação aos católicos — acentua o mesmo site — "a responderem à sentença de Lai com a mesma coragem que ele demonstrou ao se opor ao Partido Comunista Chinês (PCCh): É hora de nos levantarmos e pormos fim ao 'acordo' secreto e comprometedor de nossa Igreja (Católica) com o PCCh. Que a punição de Lai entre para a história como o grande erro da China."

Erro tático, acentuamos nós. Porque doutrinariamente o PCCh segue a mesma ideologia da Revolução maoista de 1949, mas taticamente pode despertar reações anticomunistas em todo Ocidente. Depende dos líderes, depende da pressão que os católicos façam sobre o Vaticano a fim de cessar o Acordo Provisório Roma-Pequim, firmado por Francisco.

Enigma: por que a China é intocável?

O PCCh é autoritário e ditatorial tanto no âmbito da China quanto internacionalmente.

A China polui violentamente e ninguém cobra dela obediência aos acordos internacionais.

A China persegue, campeã de violação dos direitos humanos, e tudo continua como se nada acontecesse.

A China persegue os católicos e o Vaticano se submete.

É verdade que o PCCh sofreu uma grande derrota nos últimos anos com o reconhecimento internacional do genocídio cometido no Turquestão Oriental ocupado pela China. Essa vitória sobre o PCCh veio do esforço internacional conjunto de "católicos e outras testemunhas para chamar a atenção das autoridades americanas para os abusos do regime."

Life Site News enumera as violações na China:

"Quando o PCCh mantém milhões de uigures [povo de origem turcomana, do noroeste da China] em campos de concentração, o faz sob vagas promessas eufemísticas de manter o mundo a salvo do "terrorismo".

"Quando extrai os órgãos de prisioneiros do Falun Dafa, está apenas fornecendo produtos 'médicos' necessários a clientes ocidentais ricos."

E, agora, vem o ponto que mais de perto nos interessa especialmente:

"Quando persegue brutalmente a Igreja Católica na China, forçando fiéis à clandestinidade e fazendo desaparecer o clero — incluindo bispos —, o faz sob um 'acordo' com o Vaticano que concede 'legitimidade' aos clérigos da Associação Patriótica Católica Chinesa".

Vaticano finge não ver

Setores católicos esperavam que a eleição de Leão XIV viesse alterar esse terrível e humilhante quadro da liberdade da Igreja Católica na China.

A tese do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira — amplamente distribuída aos Padres Conciliares em 1963 (A liberdade da igreja no estado comunista) prova que a Igreja só poderia aceitar um acordo com o regime comunista se Ela tivesse toda liberdade de pregar a doutrina católica. Note-se, pregar a favor da propriedade privada (negada pelo estado comunista), pregar em defesa da família (portanto, contra o divórcio, contra o aborto), pregar a doutrina católica na sua integridade.

Ora, o Acordo Vaticano-Pequim nega todos esses princípios. Nega à Igreja, inclusive, o direito de escolher os bispos. Recentemente, o PCCh redesenhou até o mapa de uma diocese na China e o Vaticano aceitou…

O PCCh impôs, durante a vacância da Sé Apostólica, novos bispos, à revelia de Roma, portanto. O que aconteceu? Leão XIV os confirmou na hierarquia católica, como legítimos pastores.

Reações internacionais à condenação de Lai

"Mas agora, com a visibilidade internacional da sentença de Jimmy Lai, que indignou líderes ocidentais desde a Grã-Bretanha (onde Lai possui cidadania) até os Estados Unidos (onde um Secretário de Estado católico e anticomunista já condenou a decisão do tribunal de Hong Kong), este é o momento perfeito para o Vaticano romper unilateralmente seu acordo com o PCCh."

De pleno acordo, é a hora do Vaticano romper com o PCCh. Leão XIV o fará?

Ocasião para apontar os crimes da china

"E cabe mais uma vez aos católicos chamar a atenção para os crimes da China — desta vez expressando ao Vaticano nossa indignação com este acordo sórdido que parece levar apenas a humilhações cada vez piores infligidas ao Corpo de Cristo."

A Santa Igreja não implora liberdade para evangelizar. O Mandato de Nosso Senhor — "Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. O que crer e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado." (Mc 6,15) — está acima das leis humanas. E, sobretudo, nunca poderá a Santa Igreja ser submissa a um Estado Comunista como a China de Xi Jinping.

Em outro artigo pretendemos alinhar fatos, citados pelo artigo de Life Site News mostrando a iniqua perseguição movida por Xi Jinping aos católicos chineses.

Nossa Senhora, imperatriz da China, e São Pedro iluminem e fortaleçam os católicos e o Vaticano em hora tão decisiva para nossa Fé. (Fonte: Agência Boa Imprensa)