A mulher deve estar submissa ao marido?
Reflexões sobre a ordem cristã frente ao caos da modernidade

Em um mundo que mergulhou no relativismo moral, a simples menção da palavra "submissão" é capaz de gerar escândalo. No entanto, para o catolicismo tradicional, a estrutura da família não é uma construção social maleável, mas uma instituição divina. Baseando-nos na doutrina perene da Igreja e na Epístola de São Paulo aos Efésios (5:22-32), precisamos resgatar a beleza da ordem doméstica que o mundo moderno tentou destruir.
(Por Vida e Fé Católica)
O mandamento bíblico e o mistério de Cristo
São Paulo é categórico: "As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor" (Ef 5,22). No catolicismo tradicional, essa submissão não é uma escravidão, mas uma hierarquia de amor. Assim como a Igreja é submissa a Cristo, a esposa reconhece no marido a cabeça do lar.
O Apóstolo não fala de tirania. Ele ordena que os maridos amem suas esposas "como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela". A crise atual nasce justamente da quebra dessa reciprocidade: quando o homem deixa de ser o sacrifício e a proteção, e a mulher deixa de ser o auxílio e a doçura.
O mal do feminismo e o homem efeminado
Vivemos em uma era de inversão de papéis. O feminismo convenceu a mulher de que o lar é uma prisão e a carreira é a única via de libertação. O resultado? Uma concorrência desenfreada entre cônjuges por posição e salário, transformando o matrimônio em um contrato de negócios em vez de uma união de almas.
A mulher moderna: Exausta, tenta equilibrar a vida corporativa com as funções domésticas. O resultado é uma fadiga crônica e um lar negligenciado. Por querer "ser igual ao homem", ela perde a sua dignidade única de rainha do lar.
O homem efeminado: Como consequência da usurpação da autoridade masculina, vemos surgir homens sem iniciativa, covardes e incapazes de assumir a responsabilidade de prover e proteger. Sem um "chefe" no lar, a estrutura desaba.
As vítimas esquecidas: os filhos
O maior dano da não-submissão e da saída da mulher do lar recai sobre a prole. Ao priorizar a concorrência financeira com o marido, a mulher entrega seus filhos a terceiros:
Creches e escolas: Lugares onde a educação moral é substituída por ideologias estranhas à fé.
Ausência de referência: Filhos que crescem sem o cuidado atento da mãe tornam-se adultos inseguros ou rebeldes.
A terceirização do afeto: A mãe chega cansada e sem paciência, oferecendo apenas o "resto" do seu tempo aos filhos.
O esplendor do lar católico tradicional
Em contrapartida, observemos o modelo que santificou gerações: o casal católico tradicional. Nele, a mulher não vê o cuidado da casa como uma tarefa menor, mas como um apostolado.
A mulher como coração: Ela é o centro da harmonia, cuidando da educação dos filhos e da paz do marido. Sua "submissão" é o que permite que o homem exerça sua autoridade com segurança, sabendo que sua retaguarda está protegida por uma esposa virtuosa.
A perfeição do lar: Um ambiente onde Deus é o centro, as refeições são momentos de união e os filhos crescem sob o olhar vigilante de quem mais os ama.
Para compreender a fundo o que São Paulo ensina em Efésios, é preciso olhar para a figura do marido não como um déspota, mas como um sacrifício vivo. Na tradição católica e nos manuais de vida espiritual (como os de São Francisco de Sales ou Santo Agostinho), a autoridade do homem é indissociável de sua responsabilidade espiritual.
A autoridade como serviço (o modelo de Cristo)
Diferente da mentalidade mundana, onde "ser chefe" significa ser servido, no lar católico ser cabeça significa servir até a morte.
O mandato: São Paulo diz: "Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela" (Ef 5,25).
A prática: O marido deve ser o primeiro a se sacrificar. Se a mulher é submissa na obediência, o homem deve ser "submisso" no sacrifício. Ele é o primeiro a acordar, o último a descansar e o que está pronto a dar a vida pela segurança física e espiritual da esposa e dos filhos.
O provedor e protetor contra o mundo
Enquanto a mulher é o "coração" que vivifica o interior da casa, o marido é a "muralha".
O combate externo: Cabe ao homem enfrentar as dificuldades do mundo, o cansaço do trabalho e as pressões sociais para que a mulher possa florescer em sua missão de santificar o lar.
A luta contra o orgulho: O manual da vida cristã ensina que o homem que humilha sua esposa ou a trata com aspereza falha gravemente em seu papel. São Pedro alerta que as orações do marido não serão ouvidas se ele não tratar a esposa com a honra devida (1 Pe 3,7).
O "sacerdote" da Igreja doméstica
No catolicismo tradicional, o pai de família exerce uma espécie de "sacerdócio leigo". Ele é o responsável direto perante Deus pela alma de sua esposa e de seus filhos.
A condução espiritual: É dele a iniciativa de reunir a família para o Terço, de garantir que todos frequentem a Missa e recebam os Sacramentos.
O exemplo: Um homem que não reza não pode exigir obediência, pois ele mesmo não está sendo obediente a Deus. O "homem efeminado" da modernidade foge dessa responsabilidade, deixando a religião apenas para as mulheres, o que desequilibra a formação dos filhos.
Os Males da Inversão de Papéis
Quando o homem abdica de ser a cabeça, o lar fica "acefálico".
A tirania do sentimentalismo: Sem a direção firme (mas amorosa) do pai, o lar muitas vezes passa a ser regido apenas pelas emoções momentâneas, o que gera filhos mimados e sem fibra moral.
A crise de identidade: O filho homem que não vê no pai um modelo de autoridade e sacrifício acaba se tornando o "homem efeminado" que o mundo moderno tanto produz: alguém que busca prazer, mas foge do compromisso e da cruz.
A verdadeira harmonia só retorna quando o homem retoma o seu posto de autoridade sacrificada. Quando a mulher percebe que o marido está disposto a morrer por ela (seguindo o exemplo de Cristo), a submissão deixa de ser um fardo e torna-se um ato de confiança e paz.
O feminismo prometeu felicidade, mas entregou divórcios, depressão e lares vazios. O catolicismo tradicional, através das palavras de São Paulo, oferece o remédio: o retorno à ordem natural. A submissão da mulher ao marido, vivida na caridade cristã, não a diminui; pelo contrário, a eleva ao posto de guardiã da civilização cristã dentro da igreja doméstica.
"Grande é este mistério: digo-o em relação a Cristo e à Igreja." (Efésios 5, 32)
(Redação: Vida e Fé Católica)
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